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Rafael Gonçalves
O futebol é o esporte mais praticado e admirado
em todo o mundo e, com isso, se torna o mais visado,
dando maior responsabilidade a quem o utiliza como profissão.
Uma das peças mais importantes e com maior responsabilidade
é o árbitro de futebol. Diferentemente
dos jogadores, o árbitro não é
um profissional reconhecido pelo Ministério do
Trabalho, e muitos dizem que apitar uma partida é
apenas um hobby. Vários árbitros possuem
outro emprego quando estão fora das “quatro
linhas”. Muitas vezes a profissão escolhida
por eles é a de professor de Educação
Física.
Os torcedores apenas criticam, e já virou até
mania, principalmente entre os brasileiros, questionar
a marcação feita pelo árbitro durante
uma partida. Mas poucos conhecem a vida, as dificuldades,
e as etapas pelas quais precisa passar um árbitro
para chegar ao auge da carreira.
Tudo começa aos 16 anos, quando o adolescente
interessado tem a oportunidade de fazer um curso para,
quem sabe um dia, ter o poder máximo num jogo
de futebol, como conta o atual árbitro da Federação
Paulista de Futebol (FPF) e ex-árbitro da Confederação
Brasileira de Futebol (CBF), Otávio Corrêa
da Silva. “A idade mínima para fazer o
curso, que tem duração de nove meses,
é 16 anos. Após a conclusão, você
passa por um estágio, apitando campeonatos promovidos
pela Federação com garotos que tem as
idades mínimas de 15 e dezessete anos. Feito
um ano de estágio, o árbitro recebe um
diploma, e se tiver aptidão, vai se consagrando
e apitando campeonatos com níveis mais elevados,
como a quarta divisão, a terceira, e assim sucessivamente”.
O teste físico também é realizado.
Um deles é um tiro curto de velocidade, quando
o árbitro deve correr 50 metros em 7,5 segundos;
ou 200 metros em 32 segundos.
E não são apenas os torcedores que ficam
“com os olhos bem abertos” nas marcações
desses juízes. Existe em todas as Federações
e Confederações uma comissão de
arbitragem que julga o comportamento desse profissional,
e isso pode tirá-lo da atividade caso o trabalho
realizado não agrade esta comissão. “Já
passei por todas as divisões de campeonatos que
existem em São Paulo. Tive um bom momento no
ano de 2001, quando fui chamado para ser um árbitro
da CBF, ficando até o ano de 2003. Já
passei também por maus momentos, mesmo assim
não desisti, e vou continuar apitando futebol”,
relata Otávio.
Se a profissão não é reconhecida
junto ao Ministério do Trabalho, o salário
compensa. Dependendo do campeonato, um profissional
do apito pode ganhar até R$ 3 mil em menos de
sete dias, como comenta Otávio. “O campeonato
estadual mais bem pago é o paulista. Os preços,
além de serem tabelados, são os mesmos
de um Campeonato Brasileiro. Caso trabalhe em um jogo
de primeira divisão, o salário, apenas
para aquele jogo, é de R$ 1,5 mil”.
As mulheres também estão conquistando
seu espaço. As juízas começaram
a aparecer no futebol masculino e, no ano passado, um
trio fez sucesso. Sílvia Regina de Oliveira,
Ana Paula de Oliveira e Aline Lambert, se tornaram o
primeiro trio feminino a arbitrar um jogo de Campeonato
Brasileiro, na vitória do São Paulo sobre
o Guarani por 1 a 0, no dia 30 de junho de 2003. De
lá pra cá, aumentou o número de
mulheres interessadas nesta profissão. Neste
ano, 30 mulheres foram pré-selecionadas para
um curso na FPF.
Muitos usam esta profissão para realizar shows
com a imagem do árbitro. Quem não se lembra
do polêmico Margarida, o árbitro carioca
Jorge Emiliano, que dava o que falar dentro e fora dos
campos? Pois o Margarida fez escola, e hoje, Clésio
Moreira dos Santos, representante comercial de uma confecção
em Santa Catarina, se veste com seu uniforme e chuteiras
cor-de-rosa e entra no campo para comandar a partida.
Clésio é árbitro pela Federação
Catarinense de Futebol e pela CBF. Mas não se
trata de um juiz comum. Aos 44 anos e com 15 de apito,
Margarida utiliza vários trejeitos quando está
em campo. Dois deles são famosos: o “passo
da gazela” e os cartões. Na hora de punir
um atleta, ele arqueia as costas para trás e
tira com vigor um dos cartões do bolso.
A figura do Margarida não é bem vista
pelos outros árbitros, mas Clésio dá
o seu show, apitando amistosos, futebol de areia, entre
outros. Já em campeonatos oficiais, Margarida
foi proibido pela diretoria da Federação
de exagerar na caricatura.
Devido a tanta repercussão, Clésio Moreira
criou seu site particular (www.clesiomoreira.com), e
nele, além de várias fotos com personalidades,
Margarida divulga seu trabalho, e aproveita para deixar
o seu contato para shows.
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