Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

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Artigo: Consuma sem consumir o mundo onde você vive

Artigo: O poder de duas mídias

Artigo: Greve no judiciário paulista

Artigo: Boca de urna ou falsa cidadania?

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Camilo de Mattos: o homem que virou nome de rua

Eduardo José Alves

 

Joaquim Camilo de Moraes Mattos veio de Rio Novo em Minas Gerais já como advogado. Com boa apresentação pessoal, desenvoltura e sendo um orador popular, Mattos logo se destacou na vida forense de Ribeirão Preto. Trabalhando em boas causas conseguiu vitórias que lhe proporcionaram notoriedade e em conseqüência dinheiro.
A advocacia permitiu que Camilo fizesse parte do diretório local do antigo Partido Republicano, conquistando posteriormente o cargo de vereador com uma soma de votos expressiva em relação aos outros candidatos.
De 1923 a 1926 Camilo de Mattos tornou-se vice do prefeito de Ribeirão, João Rodrigues Guião. De abril de 1929 a outubro de 1930, ele exerceu a função interina de prefeito da cidade. Em virtude da Revolução de 1930, João Guião e Mattos foram depostos.
Devido a divergências de ordem partidária, ele não avançou mais na política, deixando de lado sua ambição de fazer parte do Parlamento. Camilo de Mattos passou a ser consultor jurídico das “Usinas Junqueira”, onde se dedicou mais ao direito empresarial.
Camilo de Mattos foi um dos inspiradores e autor do projeto, juntamente com Sinhá Junqueira, para que a antiga Fazenda do Morro da Vitória viesse a se tornar o Educandário Coronel Quito Junqueira. Ali foi realizada assistência social, em especial amparo a crianças pobres. A marca de Camilo de Mattos observada em textos antigos e jornais da época era a de sempre estar disposto a ajudar quem quer que fosse, principalmente as crianças que, por volta de 1930 e 1940, já sofriam com a marginalização e falta de oportunidades.
A construção do educandário foi o que mais marcou sua vida e lhe deu grande satisfação, segundo informações obtidas na própria instituição. A reportagem procurou por algum parente no casarão onde Camilo de Mattos morava, na esquina da rua Duque de Caxias com Tibiriça. O edifício foi tombado junto com o quadrilátero central, mas, segundo a zeladora do casarão, Célia Miranda, não há nenhum parente na cidade que possa falar mais sobre a vida de Camilo de Mattos. Os mais próximos moram em São Paulo, Rio de Janeiro e em Minas Gerais. A zeladora desconhece o telefone ou endereço destas pessoas. Joaquim Camilo de Mattos faleceu às 19 horas do dia 24 de agosto de 1945, aos 53 anos, “deixando irreparável saudade às pessoas que nesta cidade residem”, como escrito no jornal “Diário da Manhã”, de 25 de agosto de 1945.
Em 27 de agosto de 1945, o mesmo jornal publicou uma página inteira de telegramas recebidos pela família Mattos. Políticos, autoridades, prefeitos e pessoas conhecidas do país fizeram homenagens. Uma, em especial, destaca-se, e está aqui transcrita exatamente como se lê no original: “os presos da cadeia local curvam-se com profundos sentimentos irreparável perda nosso patrono Dr. Camilo de Mattos e religiosamente enviamos. Família extinto nossos pêsames, - um por todos”.