| Renata
Magnenti
Basta ligar a televisão na Rede Globo às
20h30 para ouvir as notícias do dia e o famoso
“boa-noite” dado pelos apresentadores Willian
Bonner e Fátima Bernardes. Mas quando os dois
estão de folga, somos saudados por outros apresentadores.
E, de uns tempos para cá, quem aparece na telinha
é o pós-graduando em Direito, jornalista,
radialista e ribeirão-pretano, Heraldo Pereira,
43.
Heraldo nasceu e morou muitos anos no bairro Campos
Elíseos, em Ribeirão Preto, onde até
hoje moram seus pais. Diz que devido à correria
do dia-a-dia acaba não visitando a família
com freqüência, mas recorda dos tempos de
menino, de quando passava as férias jogando futebol
nas ruas do bairro.
Iniciou como comunicador, no rádio. Lembra que
quando garoto, em Ribeirão, ouvia muito rádio
com seu avô e gostava dos repórteres. Daí
nasceu o desejo de também se tornar comunicador.
Buscou conquistar seu espaço e se aperfeiçoar.
Nesta caminhada fez muitos amigos e colegas de trabalho.
A editora-executiva da EPTV – Ribeirão
Preto, Rosana Zaidam, 51, lembra um dos momentos em
que trabalhou com o então jovem radialista. “Trabalhei
com Heraldo em 1979, no jornal ‘O Diário’.
Ele era um adorável radialista em princípio
de carreira”.
O vereador Cícero Gomes, 56, e o locutor esportivo,
Luiz Carlos Briza, entre outros renomados nomes desta
cidade, também trabalharam na companhia de Heraldo
na rádio PRA-7 onde iniciou. Briza conta que,
“na época ele (Heraldo) estava começando
e era interessante ver alguém tão novo
demonstrando experiência de um veterano”.
A editora-executiva fala ainda sobre o talento de seu
amigo “Seja na ‘rádio Poeirinha’
ou no ‘The New York Times’, ele sempre será
íntegro, leal e solidário. Ele já
começou craque na TV. Voz, dicção,
entonação, tudo direito, e um faro ótimo
pra notícia”.
Como foi para
a TV
Heraldo iniciou a faculdade de jornalismo na PucCamp.
Mas não completou o curso, pois neste período
saiu o registro de jornalista por tempo de atividade.
Rosana Zaidam fala como ambos foram parar na TV. “Formávamos
um time muito bom que tinha ainda Mirtes Wiermann, Nélson
Araújo, João Garcia e Carlos Alberto Nonino,
todos fazendo estágio juntos na EPTV - Campinas.
Fomos os primeiros contratados da EPTV – Ribeirão,
em setembro de 1980, antes mesmo do surgimento da emissora,
que foi inaugurada em novembro daquele ano. Depois trabalhamos juntos
por mais cinco anos”.
Como repórter de rua já passou por alguns
apuros. Lembra que viajava pela região e às
vezes corria riscos. “Íamos a Franca...
Aquela estrada, a pressa em chegar com o material...
Hoje não corro mais este tipo de risco. Não
vale”.
O jornalismo da Rede Globo tornou Heraldo Pereira conhecido
nacionalmente. Os amigos dizem que continua com a mesma
essência de quando começou. Briza conta
que em 1997, durante uma cobertura na Câmara Federal,
reencontrou Heraldo. “Constatei que apesar de
todo o sucesso que obteve, ele continuava simples como
o menino que levei há 30 anos para iniciar como
repórter na rádio PRA-7”.
Hoje, passados alguns anos, Heraldo afirma que o rádio
foi a escola que freqüentou para estar onde está
hoje. Por isso prefere fazer jornalismo ao vivo, pois
é instantâneo, assim como o rádio
que ouvia com o avô quando menino.
Por onde passou fez amigos. Encontramos o repórter
cinematográfico Nilton Kinikini, 50, que trabalhou
com o jornalista no jornal “Dia a Dia”.
Kinikini afirma que quando trabalhou com o Heraldo já
era possível notar seu talento, “ele chegou
pronto em São Paulo, já fazia matérias
para o ‘Jornal Nacional’, além das
locais”.
De repórter a âncora
Ao ser perguntado sobre como recebeu a notícia
de que apresentaria o “Jornal Nacional”,
assistido diariamente por 31 milhões de espectadores,
segundo a Rede Globo, o jornalista respondeu: “Quando
estive na Copa da França de 98 os jogadores diziam
que o pior momento é pouco antes do jogo começar.
Eu também estava assim. Me preparei por um ano.
Fora o tempo de estrada que já tinha. Queria
entrar em campo logo”.
O editor-executivo do “Jornal Nacional”,
Luiz Ávila, 44, já tinha trabalhado com
o jornalista no “TJ Brasil” (do SBT). Diz
que como editor de política do jornal já
fez muitas matérias com Pereira, mas talvez o
momento mais marcante tenha sido estar na equipe de
plantão no fechamento do “JN” no
dia em que o Heraldo estreou como âncora do jornal.
Heraldo Pereira foi o primeiro apresentador negro do
telejornalismo brasileiro. Afirma que o Brasil é
racista e que é preciso lutar contra isso. “O
Brasil é racista sim. As elites fizeram um país
desigual, péssimo para os negros. Precisamos
lutar, se queremos ser uma nação, ter
políticas verdadeiramente igualitárias.
Nós negros temos que ser incluídos socialmente.
E começa pela educação. Defendo
sim, cotas nas universidades públicas”.
Sobre a criação do Conselho Federal de
Jornalismo (CFJ) explica que o projeto interessou a
setores autoritários do atual governo e a setores
atrasados do sindicalismo da categoria e completa “Não
passa no Congresso. Vai morrer por lá esta proposta
que é autoritária e contra a indispensável
liberdade de imprensa”.
Conta ainda que presenciou momentos importantes e marcantes
na história do Brasil, como a instalação
da Constituinte. Cobriu as posses do General Figueiredo
e dos presidentes Sarney, Collor, Itamar Franco, FHC
e Lula.
Atualmente é repórter-político
da Rede Globo e apresentador do “Jornal Nacional”.
Sobre sua rotina, afirma que é pura correria.
“Como dizem os baianos de Salvador: é lenha”.
Vive em pontes aéreas entre Brasília,
onde mora e trabalha, Rio de Janeiro, São Paulo
e outras cidades. Além de tudo isso, Heraldo
é casado com Cecília, também jornalista.
É pai de Mayara,14, e Isadora,12. E afirma “Quanto
mais velho eu fico, maiores são minhas lembranças
de Ribeirão Preto. Acho que isto é coisa
da vida. As lembranças da infância, juventude,
tudo é muito forte”.
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