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Audo Daniel de Sairre Alves
Valter Martins de Paula
Desde 2003 há um termo apropriado para o homem
que se considera moderno, freqüenta bons restaurantes,
clubes da moda e passa horas cuidando da pele. Esse
homem, que gasta tempo e dinheiro arrumando detalhadamente
cada fio de cabelo ou indo a salões de beleza
e lojas de grife, foi batizado de metrossexual.
O termo metrossexual foi criado pelo colunista e crítico
cultural Mark Simpson para descrever homens heterossexuais
tão ou mais vaidosos que as mulheres. São
homens entre 20 e 45 anos, bem-sucedidos, que vivem
em grandes cidades e se preocupam com o visual.
Reinaldo Kazenevskis Ceron (conhecido como Logan), 25
anos, é designer, publicitário e DJ, além
de dono da casa noturna “Atari Club”, em
São Paulo, “onde, claro, a estética
é importante”. Logan se diz metrossexual.
Freqüentemente, ele pinta as unhas e usa algum
artefato de maquiagem “para criar um personagem
mais rocker”. Para ele, existe uma concorrência
cada vez maior entre os homens para agradar as mulheres
e a maioria das meninas gosta de garotos que se preocupam
com a aparência. “Vivemos em uma época
puramente estética”, explica.
De acordo a Associação Brasileira Industrial
de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec)
a venda de itens para cuidados pessoais masculinos cresce
aproximadamente 10% ao ano. “Essa atitude não
tem a ver com personalidade, desvios de conduta ou sexualidade”,
reitera Logan. O DJ e publicitário ainda usa,
“às vezes”, roupas e acessórios
de sua namorada, para criar um visual andrógino
(híbrido entre características masculinas
e femininas).
Do outro lado, Rodrigo Alvez Moreira, 32 anos, publicitário
e jornalista da “Revista Zero”, que trata
de música e comportamento, acha isso tudo uma
grande bobagem. “Quando ouvi falar de metrossexual
pela primeira vez, achei que era algo de personalidade,
sobre homens que entendiam a alma feminina. Mas não
era nada disso”.
Rodrigo diz que essas coisas são típicas
do mundo onde vivemos e que “muitos dos considerados
metrossexuais hoje, tem que tomar cuidado para não
se transformarem em homossexuais”.
A indústria cultural vem associando ao conceito
de homem vaidoso. É o caso da série Queer
eye for the Straight guy, literalmente “Olhar
gay para o cara hetero”, no qual cinco homossexuais
ensinam heterossexuais a estar na moda e se portar como
metrossexuais.
Um ícone da tendência metrossexual é
o jogador inglês do time Real Madri, David Beckham.
Mas existe preconceito quanto a isso? Para Logan, pessoas
mais restritas intelectualmente criticam. “A maioria
das pessoas é preconceituosa e gosta de rotular.
Isso é coisa de brasileiro ignorante. Em outros
países onde a educação é
melhor e diferente daqui, esse tipo de atitude não
existe”.
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