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Eventos Felipe Augusto
O prestígio de Getúlio Vargas, considerado
pelos historiadores o grande líder brasileiro
do século 20, perpetua-se nas homenagens pelo
cinqüentenário de sua morte trágica,
ocorrida a 24 de agosto de 1954. Como parte das celebrações
foi inaugurado um memorial em sua homenagem, no dia
25 de agosto, em São Borja. A cidade, que fica
na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, é a
terra natal de Vargas. Paralelamente, o governador do
Estado, Germano Rigotto, sancionou o projeto que tombou,
além do túmulo de Vargas, os túmulos
de João Goulart e Leonel Brizola, ambos seus
herdeiros políticos.
O memorial, que já faz parte do Patrimônio
Cultural e Histórico do Estado, foi projetado
pelo arquiteto Oscar Niemeyer e acolheu os restos mortais
de Vargas. A cidade de São Borja recebeu milhares
de visitantes para acompanhar as homenagens.
Quando Getúlio Vargas cometeu suicídio
em 1954, uma massa humana calculada entre 500 mil e
1 milhão de pessoas acompanhou seu corpo até
o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, então
capital federal. De lá, ele foi transportado
para ser sepultado em São Borja, cidade que é
vista como a capital do trabalhismo brasileiro.
Em Porto Alegre, as homenagens incluíram a exposição
“Getúlio Vargas Promotor”, no Memorial
do Ministério Público do Rio Grande do
Sul, contendo fotos da época em que era promotor
e alguns documentos desse tempo. Também na sede
do Ministério Público ocorreu, entre os
dias 19 e 20 de agosto, o seminário internacional
“Da vida para a história - o legado de
Getúlio Vargas”, evento que reuniu painelistas
do Brasil e do exterior. Também em Porto Alegre,
no dia 21, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) promoveu
o encontro “50 anos sem Getúlio”,
que avaliou as conseqüências da vida e da
morte de Getúlio Vargas nos destinos do Brasil.
O partido fez também homenagens à família
Vargas e ao primeiro trabalhador da Petrobrás,
o auxiliar de refino aposentado Eugênio Antonelli,
de 88 anos, que veio de Salvador especialmente para
o evento. A Petrobrás representa um dos principais
legados de Vargas.
Na cidade do Rio de Janeiro, no dia 24 de agosto, houve
missa e inauguração do Memorial Getúlio
Vargas, na praça Luís de Camões.
O memorial, que ainda não está concluído,
contará com museu, cinema e lanchonete.
Em comentário feito no dia 24 de agosto, e reproduzido
por vários meios de comunicação,
o ministro interino da Cultura e secretário-executivo
do Ministério, Juca Ferreira, disse que os 50
anos da morte de Getúlio Vargas exigem uma reflexão
sobre o período histórico em que ocorreu.
Para o secretário, o episódio também
está ligado ao momento atual do país.
“A geração formada a partir de 1964,
que hoje lidera o cenário político e que
criou partidos como o PT teve como base política
a crítica ao nacional-desenvolvimentismo e ao
populismo da Era Vargas”. Ferreira ressaltou o
caráter ambíguo de Vargas, que ao mesmo
tempo “conseguiu ser democrata e ditador”
e também a necessidade de rediscutir alguns conceitos
que muitos pensavam estar superados, como o de “interesse
nacional”, “já que as relações
internacionais se tornaram injustas após a globalização”.
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