| Eduardo
José Alves
O ser humano necessita dormir,
não só para quebrar a rotina do dia, mas
também para restaurar fisicamente e psicologicamente
o corpo. Segundo o médico Ademir Batista Silva,
vários estudos revelam que adolescentes necessitam
dormir em media 20% a mais que os adultos. Além
disso, um indivíduo que fica por mais de 72 horas
sem dormir corre um sério risco de morrer.
Quando dormimos, o corpo produz hormônios importantes
e vitais como o do crescimento. O sono também
evita o acúmulo de gordura, além ajudar
no controle da osteoporose e dos níveis de leptina,
hormônio produzido e secretado pelo tecido adiposo.
Pessoas que dormem pouco durante a noite geralmente
ficam irritadas e ainda sonolentas o dia todo, o que
acaba atrapalhando as atividades normais do dia. Para
os jovens, noites em claro podem ocasionar diminuição
de concentração durante o dia, além
de desajuste escolar e social.
A insônia é um distúrbio do sono
caracterizado pela incapacidade de dormir ou de manter
o sono. Ela não é considerada doença,
mas traz malefícios comprovados. Há dois
tipos comuns de insônia: a circunstancial, provocada
por uma situação vivenciada momentaneamente
e a psicofisiológica, que acomete indivíduos
que sofrem de depressão ou ansiedade.
Segundo Marcel Guerrine, que sofre de insônia,
as maiores causadoras do problema, no seu caso, são
as ansiedades do cotidiano e as dificuldades enfrentadas
no dia-a-dia. Já Daniel Chaim não dorme
por problemas fisiológicos e recorre a atividades
no período da noite para relaxar, como o uso
da internet, leitura e programas televisivos.
Os médicos desaconselham a ingestão de
bebidas alcoólicas, pois estas podem tornar a
pessoa agitada e, por isso, prejudicar ainda mais o
sono. O leite morno pode ser um aliado para o sono,
pois não deixa a pessoa dormir de estomago vazio.
Televisão, livros e internet na hora de dormir
também não são aconselháveis,
pois prendem a atenção da pessoa. Os especialistas
recomendam uma alimentação saudável
e exercícios físicos regulares para os
insones.
Peritos criminais
sofrem com estresse e alterações de sono
Luiz Augusto Stesse e Lucas
Rafael Sabino
Trabalhadores noturnos passam
por vários problemas que as pessoas que desempenham
as mesmas funções durante o dia não
enfrentam. No caso de algumas profissões que
envolvem estresse e sofrimento humano, o trabalho durante
a noite ainda acarreta alterações de sono.
Segundo Gilberto Araújo, 52, perito criminal
e chefe da Equipe de Criminalística de Jaboticabal,
o trabalho noturno do perito é muito estressante
por vários motivos.
O serviço do perito criminal é auxiliar
a polícia e a justiça pública,
elaborando minuciosa investigação no local
dos fatos e confecção do laudo pericial
que servirá como prova material do crime. “Um
laudo bem-feito é condenação na
certa”, diz Araújo.
De acordo com ele, os peritos são obrigados a
atender em locais onde ocorreram crimes e as cenas são,
na maioria das vezes, as mais desagradáveis possíveis,
haja vista que normalmente se deparam com corpos mutilados
e em decomposição.
Para agravar ainda mais a situação do
estresse da profissão, a equipe de perícias
de Jaboticabal conta com outras adversidades. Além
de funcionar 24 horas por dia, atende uma sub-região
com onze municípios, num raio de 150 quilômetros.
“Isso cria enormes dificuldades em função
do reduzido número de profissionais. São
sete peritos, quatro fotógrafos e apenas um auxiliar
de desenhista”, diz.
Estudos recentes realizados no Estado de São
Paulo concluíram que, nos últimos dez
anos, o número de atendimentos no Instituto de
Criminalística cresceu 100% e, ao mesmo tempo,
ocorreu um decréscimo de 10% do número
de profissionais do setor. “O governo deveria
dar mais atenção não só
aos peritos criminais, mas a todas as profissões
relacionadas com a segurança pública”,
afirma Araújo.
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