Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

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Peritos criminais sofrem com estresse e alterações de sono

 

Luiz Augusto Stesse e Lucas Rafael Sabino


Trabalhadores noturnos passam por vários problemas que as pessoas que desempenham as mesmas funções durante o dia não enfrentam. No caso de algumas profissões que envolvem estresse e sofrimento humano, o trabalho durante a noite ainda acarreta alterações de sono. Segundo Gilberto Araújo, 52, perito criminal e chefe da Equipe de Criminalística de Jaboticabal, o trabalho noturno do perito é muito estressante por vários motivos.
O serviço do perito criminal é auxiliar a polícia e a justiça pública, elaborando minuciosa investigação no local dos fatos e confecção do laudo pericial que servirá como prova material do crime. “Um laudo bem-feito é condenação na certa”, diz Araújo.
De acordo com ele, os peritos são obrigados a atender em locais onde ocorreram crimes e as cenas são, na maioria das vezes, as mais desagradáveis possíveis, haja vista que normalmente se deparam com corpos mutilados e em decomposição.
Para agravar ainda mais a situação do estresse da profissão, a equipe de perícias de Jaboticabal conta com outras adversidades. Além de funcionar 24 horas por dia, atende uma sub-região com onze municípios, num raio de 150 quilômetros. “Isso cria enormes dificuldades em função do reduzido número de profissionais. São sete peritos, quatro fotógrafos e apenas um auxiliar de desenhista”, diz.
Estudos recentes realizados no Estado de São Paulo concluíram que, nos últimos dez anos, o número de atendimentos no Instituto de Criminalística cresceu 100% e, ao mesmo tempo, ocorreu um decréscimo de 10% do número de profissionais do setor. “O governo deveria dar mais atenção não só aos peritos criminais, mas a todas as profissões relacionadas com a segurança pública”, afirma Araújo.