Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

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Artigo: A mídia empregada como ferramenta de apoio ao professor

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Mulheres e homens que vivem da prostituição

 


Foto: Ana Carolina Baldim

 

Alexandra Onofre e Renata Magnenti

 

É freqüente encontrar nas noites de Ribeirão Preto a combinação de sexo e dinheiro. A prostituição é um dos fatores que contribuem para o sustento de homens e mulheres, que se dispõem a conquistar a vida vendendo o corpo. Não há um levantamento estatístico sobre o perfil desses profissionais. “Empiricamente podemos observar que há tanto meninas de Ribeirão quanto de outras cidades e Estados. Elas migram de cidade conforme o rendimento do programa. Festas regionais e eventos como a Agrishow são atrativos”, afirma a psicóloga Ana Ricci Molina, que defendeu sua dissertação de mestrado sobre prostituição na USP de Ribeirão Preto.
A profissional do sexo Salete, 22, veio para a cidade neste ano, durante a Agrishow. Ela trabalha em uma das mais famosas casas de prostituição de Ribeirão. “Gosto de Ribeirão Preto, mas o trabalho não é fácil, preciso beber muito para fazer o programa”. Paulistana, que trancou seu curso de Fisioterapia, chega a fazer quatro programas por noite e ganha, segundo ela, cerca de R$ 5 mil por mês.
“Para uma garota entrar na vida da prostituição é preciso que ela tenha uma cabeça boa e saiba diferenciar amor, amizade e trabalho”, ressalta Pamela, 24, também de São Paulo. A profissional possui automóvel e é proprietária de uma loja de roupas e bijuterias. De acordo com Pamela, seus rendimentos com programas variam de R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês. “Pretendo terminar minha faculdade de Direito, estou no quarto ano”, afirma.
A psicóloga Ana Ricci Molina diz que a faixa etária dos profissionais do sexo é diversificada e que geralmente trabalham em chácaras, quando não vão para as ruas e recebem apoio dos demais.
A prostituta Vanessa, 23, começa a trabalhar às 18h. Ela faz ponto na baixada, próxima à Avenida Jerônimo Gonçalves. Por mês, fatura R$ 3,5 mil. “Não aconselho ninguém a entrar por esse caminho, mas é assim que consigo dinheiro”. Paranaense e estudante de Auxiliar de Enfermagem, Vanessa ajuda financeiramente sua família e seu filho que estão no Paraná.
Aretha, 23, travesti, também trabalha nas ruas de Ribeirão Preto e faz ponto na Avenida 9 de Julho. Conta que, às vezes, atende clientes mal-educados e precisa impor respeito. “Costumo dizer: ‘vamos ver quem é mais homem’”. Aretha assumiu sua sexualidade aos 13 anos e não sofreu preconceito por parte de sua família. Seus clientes mais freqüentes são homens e diz que sua renda mensal é de cerca de R$ 7 mil.
“Não é porque são profissionais do sexo que deixam de ter sonhos”, explica a psicóloga Ana. “Meu namorado disse que no próximo mês iremos nos mudar para nossa casa e irei sair da prostituição”, conta Salete. Aretha sonha com uma estabilidade financeira. Vanessa deseja morar em Londres. E Pamela quer deixar a prostituição.

* Todos os profissionais do sexo entrevistados deram nomes fictícios. As famílias das garotas de programas desconhecem sua real profissão.