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Marco Túlio Lemos
Macedo e Audrey Maris
Para cada dois acidentes
registrados em Ribeirão Preto, um tem envolvimento
de jovens na faixa etária entre 18 e 25 anos.
Lutando para tentar salvar a vida desses jovens, está
o Resgate, uma unidade do Corpo de Bombeiros especialmente
treinada para enfrentar esta realidade. Para a equipe
do Resgate que atende a um chamado, correr contra o
tempo é o maior desafio. Os obstáculos
que uma viatura enfrenta no trânsito são
muitos, vão de congestionamento à falta
de respeito de alguns motoristas. A ida até o
hospital mais próximo às vezes torna-se
uma longa viagem.
Segundo o tenente Ilídio Klein, do 9º Grupamento
do Corpo de Bombeiros de Ribeirão Preto, entre
as principais causas de acidentes estão o álcool
e o excesso de velocidade. “Como as ruas ficam
vazias durante a noite, o jovem extrapola, arrisca a
sua vida e de outras pessoas com manobras arriscadas”.
O tenente ainda faz um diagnóstico dos dias de
maior incidência de acidentes na cidade: sextas-feiras
e sábados à noite, quando acontecem festas
onde a freqüência de jovens é muito
grande.
A função do resgate não é
a mesma que a de uma UTI móvel, que presta atendimento
médico-hospitalar, mas sim a de um pronto atendimento.
De acordo com cada ocorrência é feito um
direcionamento do paciente para o hospital mais próximo.
A contagem do tempo do atendimento é feita a
partir do momento em que a equipe é acionada
e pára quando a vítima chega ao hospital.
Para o tenente Klein, o apoio de um helicóptero
poderia diminuir, e muito, o tempo de deslocamento de
um acidentado do local da ocorrência até
o hospital.
Atualmente, Ribeirão Preto conta com 4 postos
do Corpo de Bombeiros e uma central no Jardim Independência,
onde fica localizado o 9º Grupamento. A unidade
de resgate conta com três viaturas distribuídas
nos postos do Corpo de Bombeiros do Jardim Independência,
Campos Elíseos e Alto da Boa Vista.
A história do resgate
Marco Túlio Lemos
Macedo e Audrey Maris
No Corpo de Bombeiros, a conscientização
de que haveria necessidade de melhorar o atendimento
pré-hospitalar surgiu na prática do dia-a-dia,
vivenciada pelos integrantes do Serviço de Salvamento.
Até então, sua atribuição
específica era de remover vítimas dos
locais de acidente onde estavam presas ou com o acesso
dificultado.
Em 1986, a Polícia Militar do Estado de São
Paulo, em integração com a Associação
de Intercâmbio entre Estados Unidos e Brasil,
denominada “Companheiros das Américas”,
enviou um grupo de quatro oficiais dos bombeiros e um
da Defesa Civil à cidade de Chicago (EUA) para
participar do Curso de Técnicos em Emergências
Médicas. No seu regresso, eles apresentaram um
relatório ao comandante-geral do Corpo de Bombeiros.
O relatório propunha a reformulação
dos conceitos e da instrução de primeiros
socorros que eram ensinados aos oficiais. Sugeria, também,
a criação de um serviço no Corpo
de Bombeiros, com viaturas, equipamentos e pessoal específicos
para o atendimento e transporte das vítimas de
acidentes.
Em 1987, englobando todas as conclusões dos grupos
de trabalho, foi criada a Comissão de Atendimento
Médico às Emergências do Estado
de São Paulo (Cameesp), que apresentou proposta
para a criação de um projeto piloto de
atendimento pré-hospitalar denominado Projeto
Resgate. A proposta foi aprovada e, em 22 de maio de
1989, os Secretários Estaduais da Segurança
assinaram a Resolução Conjunta SS/SSP
nº 42, que definia a implantação
do Projeto Resgate, sob a coordenação
de uma comissão mista denominada Gepro-Emergência
e operacionalização do Corpo de Bombeiros
e Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia
Militar do Estado de São Paulo. O serviço
começou efetivamente no início de 1990,
com atuação na Grande São Paulo
e em 14 municípios do Estado.
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