| Renata
Magnenti
Em março, a operação
“De olho na bomba” fiscalizou postos de
gasolina por todo o Estado. O objetivo foi vistoriar
alguns postos, escolhidos através de alguns critérios
técnicos, para saber se a gasolina utilizada
é adulterada.
No Estado de São Paulo, aproximadamente 150 postos
foram fiscalizados. Em Ribeirão Preto, 30 ficaram
sob a mira da operação. Desses, foram
recolhidas amostras de 26, visto que quatro postos estavam
sem combustível. Dos 26, em oito foi comprovada
a utilização de solvente misturado na
gasolina. A delegacia regional da Receita Tributária
Estadual trabalhou em conjunto com outros órgãos,
como Ipem (Instituto de Pesos e Medidas), Procon (Proteção
ao Consumidor), Polícias Civil e Militar.
Para o delegado tributário Marfan Alberto Abib,
a adulteração caminha junto com a sonegação.
“Se fica comprovado que há o produto na
gasolina, é sinal que houve irregularidade. Além
do que fere a economia do consumidor”, afirmou.
O dono de um dos postos tidos como irregulares, que
não quis se identificar, contestou os resultados.
“A culpa cai sempre sobre o posto, mas os testes
que eu faço aqui não identificam a adulteração.
Somente um teste minucioso pode detectar. Não
existe laboratório em Ribeirão que faça
isso”, ressaltou. Preocupado com o que pode acontecer,
o dono do posto se justificou. “Não tem
diferença de cor, nem de cheiro, nem de nada.
Não dá para saber se está com solvente.
Se nós identificarmos [a adulteração],
o caminhão carregado volta para trás”.
O gerente de posto, Marino de Castro, que acompanhou
alguns fiscais da ANP (Agência Nacional de Petróleo)
em Ribeirão Preto, confirmou a versão
do dono do posto. “O teste obrigatório
verifica apenas a quantidade de álcool anidro
misturado na gasolina. Se tiver até 25% está
bom. O teste não vai conseguir detectar a presença
de solvente, visto que o exame laboratorial é
muito detalhado, feito apenas pelo IPT [Instituto de
Pesquisas Tecnológicas] de São Paulo”.
Para apertar ainda mais a situação de
postos irregulares, uma lei foi aprovada. Com ela, os
estabelecimentos que forem autuados como irregulares
terão cassada a inscrição estadual,
sendo proibidos de vender, estocar ou transportar combustíveis.
A validade da lei, porém, não é
retroativa. Ou seja, vale a partir da sanção
do governador Geraldo Alckmin. Os postos que foram autuados
até aqui não estarão sujeitos à
lei, a não ser que tenham novamente os combustíveis
adulterados.
Cuidados com o veículo
O combustível “batizado”,
como é popularmente chamado, pode causar sérios
danos ao veículo. Segundo pesquisa divulgada
pelo site “Oficina Brasil”, a gasolina adulterada
tornou-se um problema presente em 94% das reparadoras.
As conseqüências variam da necessidade de
uma simples limpeza no tanque ou nos bicos injetores
ao reparo de um motor fundido.
A gasolina adulterada entope as galerias de lubrificação.
Para consertar, a descarbonização e a
limpeza dos bicos injetores são as providências
mais comuns. A presença de água, solvente
ou excesso de álcool contribui para o aumento
da temperatura interna do motor, já que prejudica
a lavagem dos cilindros e altera o ponto de ignição.

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