Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Cinema: decupagem clássica vs Dogma 95

Os samurais invadem Ribeirão

Começar de novo

Um estresse chamado TCC

As novas tendências para se relacionar

A música que vem do lixo

Guardadores de carro causam polêmica

Ribeirão recebe dinheiro para combater enchentes

Novos projetos movimentam a agência-escola ELO

Morte do Papa

À espera da primeira chance

A popularização da cirurgia plástica

Carnabeirão

Paulistas gastam R$132 milhões por mês com cigarros

Planejamento: o segredo do sucesso empresarial

Ribeirão tem 14 casos de coqueluche

Mercado informal cresce e pode causar prejuízo

As mulheres invadem o mundo dos automóveis

Cursos de pós-graduação

Skate mobiliza jovens em Ribeirão

Superpopulação de pombos

Uma homenagem aos fãs do Capital Inicial

Celular vira moeda

Humanizar ambientes melhora o dia-a-dia nas empresas

Ribeirão estará nas telas dos cinemas

Combustíveis na mira da fiscalização

Crônica: Coisas de mulher

Teste de HIV: como, onde e porque fazê-lo

Crônica: Um dia daqueles

EDITORIAL E ARTIGOS

Os novos rumos da educação superior

A formação científica na escola

Assim comunica a humanidade

O Brasil precisa esta reforma

Expediente

Errata da versão impressa

Morte do Papa motiva questionamentos sobre novos rumos da Igreja

Lesciane Mael e Carolina Dessen

 

O Papa João Paulo II permaneceu como representante máximo da igreja Católica durante 26 anos, o quarto maior pontificado da história. Karol Joseph Wojtyla, seu nome de batismo, foi o primeiro Papa não italiano depois de 456 anos de história.
Com a sua morte surgiram muitas curiosidades. Para quem tem menos de 26 anos, assistir ao funeral de um papa é uma novidade. Ver o corpo embalsamado, fora de um convencional caixão com flores foi um espanto para alguns e algo interessante para outros. Curioso também é o ritual da quebra do anel. A jóia usada pelo sumo pontífice, o “anel do pescador”, é uma referência a Pedro, o primeiro papa da Igreja. Ele é utilizado ainda como um “carimbo” em todos os documentos oficiais do Vaticano, que legitima os escritos do Papa. Durante a cerimônia, o anel é amassado com um martelo de prata na presença dos cardeais, significando o fim do “reinado” e para evitar que não haja nenhuma falsificação dos documentos.
Depois de tudo isso a pergunta fica no ar... E agora? Como será feita a escolha do novo Papa? Diferente do que estamos habituados a ver quando um governante morre, até que seja escolhido um novo Papa, quem assume interinamente o Vaticano é um cardeal conhecido com camerlengo, que tem poderes limitados e resolve pequenos problemas, deixando as decisões mais importantes para o próximo papado.
A votação para a escolha do novo representante da Igreja Católica acontece da seguinte maneira: os cardeais se reúnem na Capela Sistina e os votos são escritos em cartões que contêm as palavras impressas em latim “escolho como Sumo Pontífice”. As “cédulas” são dobradas uma única vez e depositadas em um cálice de ouro. Para que o Papa seja eleito são necessários dois terços e mais um voto. Após a escolha, os papéis são queimados com um aditivo que produz fumaça branca, o que sinaliza a decisão final dos cardeais. Se os votos não chegarem à porcentagem mínima estipulada, assim mesmo os papéis são queimados, mas com um outro aditivo, que produz uma fumaça negra, sinalizando que o Papa ainda não foi escolhido.
E para os católicos? Qual o valor que tem tudo isso? Para a estudante Talita Maris, 19, que já participou de muitos movimentos jovens dentro da Igreja, o Papa João Paulo II deu um valor muito especial à juventude. “Ele mostrou que somos capazes de assumir responsabilidades dentro da Igreja, confiou em nós, veio até nós, por isso para mim representa uma perda muito grande, não só dentro da Igreja, mas para o mundo. Foi um homem que não teve medo de nada nem de ninguém. Visitou lugares onde ninguém imaginava, como mesquitas e tribos africanas”. Talita ainda acrescenta: “O gesto que mais me marcou foi quando ele perdoou o rapaz que o baleou. Aquela foi uma das cenas mais marcantes que vi na minha vida”. A estudante demonstrou também a sua preocupação em relação ao novo Papa, sobre seu perfil e suas prioridades. “Nós jovens tivemos somente a vivência com um Papa e não sabemos como será a partir de agora. Temos a preocupação se ele dará à juventude a mesma abertura que João Paulo II deu. Para nós, a figura do Papa representa muito mais que um representante do catolicismo”.
Para o teólogo Paulo Henrique Lopes de Aquino, a morte de João Paulo II significou a perda de um pai, de um amigo. “O sentimento que tenho é de um órfão”. De acordo ele, o pontífice foi um ícone não apenas dentro da Igreja, mas na sociedade como um todo. “Seu pontificado foi de vanguarda. Ao mesmo tempo em que tínhamos um homem conservador e que defendia muito a moral e os costumes da Igreja, tínhamos um homem que ia de encontro com os interesses, e viveu com o povo, lutou pelas causas sociais, defendeu e alavancou a juventude. Ele quebrou regras, buscou sempre aproximar diversas religiões. Um grande exemplo foi o contato com os católicos ortodoxos, que se separaram por questões ideológicas no primeiro milênio da nossa era. João Paulo II reconheceu ainda as falhas da Igreja durante os séculos, especialmente no período da inquisição. O Papa visitou 125 países, só não foi onde realmente não foi permitida a sua entrada, como foi o caso da China”, analisa.
Outro assunto comentado pelo teólogo foi sobre a sucessão papal. Ele acredita que o futuro Papa terá características semelhantes a de João Paulo II em relação ao conservadorismo. O que faz com que ele se apóie nessa opinião são os sinais que o Papa deu enquanto exercia o poder. Ele nomeou cardeais com perfil semelhante ao seu, e fortes em questões ideológicas. “Mas a dúvida é sempre grande. Eles mantêm segredo. A surpresa é sempre um elemento presente nessas decisões. Analisamos a história em um passado não muito distante, vimos um Papa que não era cotado para o cargo mas, para espanto de todos, foi eleito: o Papa João XXIII”. Aquino ainda brincou com os prováveis sucessores. “Dizem que quem entra no Conclave como possível Papa, volta cardeal”. O teólogo ainda afirma que, independente de quem seja o novo sucessor, terá uma árdua missão de substituir um Papa que foi ícone da sociedade moderna.
Já o padre Canossiano Jorge Valente acredita que o sucessor seguirá a mesma linha conservadora de João Paulo II, mas não igual, porque cada um trás uma conduta humana e espiritual.