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Lesciane Mael e Carolina Dessen
O Papa João Paulo
II permaneceu como representante máximo da igreja
Católica durante 26 anos, o quarto maior pontificado
da história. Karol Joseph Wojtyla, seu nome de
batismo, foi o primeiro Papa não italiano depois
de 456 anos de história.
Com a sua morte surgiram muitas curiosidades. Para quem
tem menos de 26 anos, assistir ao funeral de um papa
é uma novidade. Ver o corpo embalsamado, fora
de um convencional caixão com flores foi um espanto
para alguns e algo interessante para outros. Curioso
também é o ritual da quebra do anel. A
jóia usada pelo sumo pontífice, o “anel
do pescador”, é uma referência a
Pedro, o primeiro papa da Igreja. Ele é utilizado
ainda como um “carimbo” em todos os documentos
oficiais do Vaticano, que legitima os escritos do Papa.
Durante a cerimônia, o anel é amassado
com um martelo de prata na presença dos cardeais,
significando o fim do “reinado” e para evitar
que não haja nenhuma falsificação
dos documentos.
Depois de tudo isso a pergunta fica no ar... E agora?
Como será feita a escolha do novo Papa? Diferente
do que estamos habituados a ver quando um governante
morre, até que seja escolhido um novo Papa, quem
assume interinamente o Vaticano é um cardeal
conhecido com camerlengo, que tem poderes limitados
e resolve pequenos problemas, deixando as decisões
mais importantes para o próximo papado.
A votação para a escolha do novo representante
da Igreja Católica acontece da seguinte maneira:
os cardeais se reúnem na Capela Sistina e os
votos são escritos em cartões que contêm
as palavras impressas em latim “escolho como Sumo
Pontífice”. As “cédulas”
são dobradas uma única vez e depositadas
em um cálice de ouro. Para que o Papa seja eleito
são necessários dois terços e mais
um voto. Após a escolha, os papéis são
queimados com um aditivo que produz fumaça branca,
o que sinaliza a decisão final dos cardeais.
Se os votos não chegarem à porcentagem
mínima estipulada, assim mesmo os papéis
são queimados, mas com um outro aditivo, que
produz uma fumaça negra, sinalizando que o Papa
ainda não foi escolhido.
E para os católicos? Qual o valor que tem tudo
isso? Para a estudante Talita Maris, 19, que já
participou de muitos movimentos jovens dentro da Igreja,
o Papa João Paulo II deu um valor muito especial
à juventude. “Ele mostrou que somos capazes
de assumir responsabilidades dentro da Igreja, confiou
em nós, veio até nós, por isso
para mim representa uma perda muito grande, não
só dentro da Igreja, mas para o mundo. Foi um
homem que não teve medo de nada nem de ninguém.
Visitou lugares onde ninguém imaginava, como
mesquitas e tribos africanas”. Talita ainda acrescenta:
“O gesto que mais me marcou foi quando ele perdoou
o rapaz que o baleou. Aquela foi uma das cenas mais
marcantes que vi na minha vida”. A estudante demonstrou
também a sua preocupação em relação
ao novo Papa, sobre seu perfil e suas prioridades. “Nós
jovens tivemos somente a vivência com um Papa
e não sabemos como será a partir de agora.
Temos a preocupação se ele dará
à juventude a mesma abertura que João
Paulo II deu. Para nós, a figura do Papa representa
muito mais que um representante do catolicismo”.
Para o teólogo Paulo Henrique Lopes de Aquino,
a morte de João Paulo II significou a perda de
um pai, de um amigo. “O sentimento que tenho é
de um órfão”. De acordo ele, o pontífice
foi um ícone não apenas dentro da Igreja,
mas na sociedade como um todo. “Seu pontificado
foi de vanguarda. Ao mesmo tempo em que tínhamos
um homem conservador e que defendia muito a moral e
os costumes da Igreja, tínhamos um homem que
ia de encontro com os interesses, e viveu com o povo,
lutou pelas causas sociais, defendeu e alavancou a juventude.
Ele quebrou regras, buscou sempre aproximar diversas
religiões. Um grande exemplo foi o contato com
os católicos ortodoxos, que se separaram por
questões ideológicas no primeiro milênio
da nossa era. João Paulo II reconheceu ainda
as falhas da Igreja durante os séculos, especialmente
no período da inquisição. O Papa
visitou 125 países, só não foi
onde realmente não foi permitida a sua entrada,
como foi o caso da China”, analisa.
Outro assunto comentado pelo teólogo foi sobre
a sucessão papal. Ele acredita que o futuro Papa
terá características semelhantes a de
João Paulo II em relação ao conservadorismo.
O que faz com que ele se apóie nessa opinião
são os sinais que o Papa deu enquanto exercia
o poder. Ele nomeou cardeais com perfil semelhante ao
seu, e fortes em questões ideológicas.
“Mas a dúvida é sempre grande. Eles
mantêm segredo. A surpresa é sempre um
elemento presente nessas decisões. Analisamos
a história em um passado não muito distante,
vimos um Papa que não era cotado para o cargo
mas, para espanto de todos, foi eleito: o Papa João
XXIII”. Aquino ainda brincou com os prováveis
sucessores. “Dizem que quem entra no Conclave
como possível Papa, volta cardeal”. O teólogo
ainda afirma que, independente de quem seja o novo sucessor,
terá uma árdua missão de substituir
um Papa que foi ícone da sociedade moderna.
Já o padre Canossiano Jorge Valente acredita
que o sucessor seguirá a mesma linha conservadora
de João Paulo II, mas não igual, porque
cada um trás uma conduta humana e espiritual.
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