| Murilo
Bereta
Há mais de dez anos a milenar filosofia japonesa
dos samurais e a sua arte de utilização
da espada, conhecida como Kenjutsu, vem sendo desenvolvida
no Brasil. Trazida do Japão pelo descendente
nipônico Jorge Kishikawa, foi em 2001, através
do filme “O Último Samurai”, estrelado
por Tom Cruise, que a arte passou a ter maior número
de adeptos e espaço na mídia.
Guerreiros do período feudal no Japão,
os samurais dominaram aquele país por quase oito
séculos. Eram homens que treinavam a arte da
guerra; assim, honravam o nome de suas famílias.
Hoje, adequados ao novo tempo, mas não distantes
da cultura tradicional dos samurais, procuram difundir
e perpetuar os ensinamentos milenares.
O grupo de samurais, que pertence ao Instituto Cultural
Niten de Ribeirão Preto, possui como alguns de
seus objetivos promover no Brasil a cultura e a tradição
oriental, e integrá-la à cultura brasileira.
O coordenador do Instituto, Camillo Del Cistia, relata
que o Niten possui alunos tanto brasileiros quanto japoneses.
E, no que se refere a um possível conflito entre
as tradições culturais brasileiras e nipônicas,
Camillo afirma que o embate não ocorre. “Quando
alunos iniciantes nos procuram, independente de nacionalidade,
geralmente já sabem do nosso trabalho e da necessidade
de respeitar o Bushido”.
Para os praticantes de Kenjutsu, o Bushido (bushi =
guerreiro, do = caminho) é o código de
honra dos samurais, em que o samurai se propunha a defender
seu senhor com o máximo de eficiência e
coragem, nem que para isso fosse obrigado a oferecer
sua própria vida. O coordenador do Instituto
de Ribeirão Preto explica que o caminho do guerreiro
é composto por sete virtudes: justiça,
coragem, benevolência, educação,
sinceridade, honra e lealdade. “É necessário
o exercício diário dessas virtudes para
trilhar o caminho dos samurais”, explica Camillo.
O monitor, Ricardo Donega, afirma que, apesar de parecer
um esporte com luta de espadas, trata-se de uma arte.
Para Donega, o objetivo principal não é
alcançar vitórias nas competições,
e sim na vida cotidiana. “Buscamos equilíbrio
na mente, no corpo e no espírito, para revitalizar
o potencial oculto no interior de cada ser humano. Assim,
alcançamos a melhoria da vida como um todo”.
Ricardo afirma que aprender Bushido hoje significa transportar
o conhecimento da cultura milenar japonesa para os dias
atuais.
Explorando o potencial
humano
O desenvolvimento da arte
da espada e o exercício da filosofia proposta
no Bushido são utilizados nos dias atuais para
recuperar ou canalizar o potencial do ser humano. Segundo
o coordenador, Camillo Del Cistia, usando o aprendizado
da tradição japonesa e o equilíbrio
entre a razão e a emoção, pode-se
aumentar o potencial do ser humano em superar seus próprios
limites.
Ricardo Donega, pensando na adequação
da arte milenar nipônica ao mundo e aos problemas
atuais, declara que o homem que pratica o caminho do
guerreiro faz com que possa despertar em si os potenciais
escondidos do ser humano.
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