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Marcos H. Brunelli
Marcante não só
pelo número de mortos e feridos, a Segunda Guerra
Mundial foi impressionante pelos fatos. Foi, sem dúvida,
a guerra mais sangrenta que o homem já produziu
em toda a história. Só quem viveu os horrores
sabe o significado de cada explosão ouvida, cada
noite de sono mal dormida e as dificuldades de se sair
do país e cruzar um oceano para tentar encontrar
a paz.
Mário Epifania, 73, nascido dia 13 de maio de
1931, em Salerno (54 quilômetros de Nápoles),
na Itália, hoje, ribeirão-pretano de coração,
conta que a viagem que fez num navio de turismo da Itália
para o Brasil, em 1956, apesar de ter durado quase 17
dias, era muito mais silenciosa do que a madrugada em
Nápoles (onde viveu dos 15 aos 25 anos).
Com um senso de humor fora do comum, Mário conta
um pouco sobre essa obscura parte da história.
“Era tudo muito feio, muito sangue. Alguns amigos
de infância morreram na minha frente. A Itália
estava encurralada, não tinha mais serviço,
não tinha mais comida, nem nada pra fazer por
lá. Eu não sabia onde estavam meus pais.
Eu queria vir para o Brasil. Durante a noite, cansado,
eu queria dormir, mas as explosões não
deixavam”.
Ele veio para o Brasil, de navio, em busca de emprego.
“Eram tempos muito difíceis, não
tinha serviço. Eu sabia que, no Brasil, tinha
serviço, mas também sabia que nada ia
ser fácil. Eu era jovem, com 25 anos, não
sabia falar português. Eu sabia trabalhar, era
forte, com saúde e queria me mostrar para os
patrões”.
Mário ainda lembra que, quando chegou em Santos
(SP), queria conversar com alguém e, como não
sabia falar português, ficou nervoso e chutou
um latão de lixo. “Só aí
me deram atenção”.
No Brasil, ele trabalhou na indústria de tecidos
Matarazzo, durante 26 anos, e depois de aposentado ainda
trabalhou por mais de dez anos como almoxarife na EPTV,
emissora de televisão afiliada à Rede
Globo, em Ribeirão Preto. Hoje, Mário
vive no Bairro Ipiranga, numa casa confortável,
junto da esposa Ivone Epifania. Eles têm três
filhos e três netos.
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