| Maurício
Abravanel
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Não é de hoje
a expressão “advogado do diabo”.
Mas, ultimamente, essa expressão perdeu o sentido.
Por quê? Porque as pessoas acham que todo advogado
é do diabo. É visto como um safado, esper-tinho,
enfim, o cara que vai passar você pra trás.
É o vilão.
Hoje, se um advogado for preso, o papo entre ele e um
detento seria uma coisa mais ou menos assim:
- O que cê fez, mano?
- Eu? Fui pego, sou advogado.
- Ihhhh. Você é advogado? Tá enrolado,
hein?!
- Pois é. E você, o que fez?
- Estuprei, matei e roubei. Mas perto de você,
isso é fichinha…
Como se não bastasse, os advogados são
execrados pelos cunhados no meio da festinha de aniversário
do sobrinho. Se defendem como podem:
- E aí, João, tá bom o bri-gadeiro?
Vê se deixa pra colocar nos bolsos só quando
a festa acabar, senão vai faltar, ok?
- Pô, Marco! Pára com isso… Quem
engana o povo é publicitário! Eu sou advogado…
- Que nada, João! Publi-citário engana
quem quiser ser enganado. Ele conta uma mentirinha e
o consumidor, trouxa, vai até a loja e com-pra.
Tudo bem, ele mentiu, mas o consumidor foi com suas
próprias pernas até a loja e fez sozinho
a besteira. Advogado, não! Advogado engana por
procuração, o que é muito pior!
O cidadão tá lá, jogado na poltrona,
pleno domingão, assistindo um joguinho pela televisão
e, enquanto isso, tá sendo pas-sado pra trás
pelo seu próprio advogado. Advogado é
assim: enganação delivery!
E dizem até que advo-gado quando se aposenta,
vai passar tempo no presídio. Reencontrar os
clientes, colegas de trabalho, jogar conversa fora.
Mas isso tem uma explicação fácil:
um presidiário sabe mais de leis que o cidadão
comum. Daí é natural que o advogado queira
conversar com alguém que saiba os meandros da
profissão.
- João, advogado e presi-diário é
assim, ó! Se um não tomar cuidado com
o outro, é roubo na certa.
Mas o João está ocu-pado demais para ouvir
este comentário do seu cunhado. Ele está
colo-cando os brigadeiros no bolso.
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