Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Que País é esse?

Dupla Come-Fogo caindo pelas tabelas

O Advogado

Expediente

MERCADO DE TRABALHO

Ajudar o próximo faz bem

Economia informal cresce no país

As várias faces da moda

SAÚDE

Yoga proporciona melhor qualidade de vida

Vida sem drogas

A planta que
controla o estresse

As armas na luta contra o vício

Liberada a venda de remédios fracionados

ESPORTE

No rastro da história

Atividade física: danos ou benefícios?

POLUIÇÃO

Escassez de água

Poluição sonora causa danos à saúde e ao meio ambiente

Resíduo sólido gera problemas ambientais, sanitários e econômicos

LIXO

A preocupação que vem do lixo

Sorte encontrada no lixo

COMPORTAMENTO

Inveja e ciúme podem ajudar

A arte de relaxar

EDUCAÇÃO

Febem terá novo método de ensino

Prouni concede bolsas de estudo a alunos de baixa renda

Humanização hospitalar

Instituto de Ribeirão ganha destaque no Criança Esperança

INFORMÁTICA

Eu quero é velocidade!

COTIDIANO

Inclusão social de deficientes físicos é precária em Ribeirão Preto

Inadimplência afeta comércio

Entidades enfrentam burocracia para funcionar

Uma ameaça que vem do céu

Cinco mil pessoas visitam exposição de orquídeas

CULTURA

Música é do que eles gostam

Livro usado representa economia para leitores

LIXO

Sorte encontrada no lixo

Foto: Tatiana Serebrinsky

Tatiane Guidoni

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Papelão, alumínio, plástico, vidro, muito trabalho, e, ainda, a sorte de encontrar jóias e outros objetos em meio ao lixo. Assim é a rotina da ex-bóia-fria Adriana Aparecida Nardim, 32.
Cooperada da Corserta (Cooperativa de Reciclado-res de Sertãozinho), que é responsável pela coleta seletiva do lixo doméstico da cidade, Adriana é considerada a sortuda pelos companheiros de trabalho. “Já encontrei vários presentes no lixo, como um anel e um brinco de ouro e até dinheiro”, explicou.
Segundo Adriana, as jóias encontradas no lixo ainda não têm destino, mas se for preciso ela irá vendê-las. Separada, mãe de quatro filhos, Adriana ganha uma renda mensal de R$ 300 e sustenta sozinha a família. A rotina da recicladora não é nada fácil. Às 7 horas da manhã ela já está em seu trabalho e só termina às 17h30. “Ela é uma das primeiras a chegar”, conta o presidente da cooperativa, José Aparecido Oliveira, 48.
A função de Adriana na cooperativa é a de separar o lixo recolhido nas residências para que, em seguida, possa ser vendido. A arrecadação final é dividida entre os 38 cooperados. É aí que a ex-bóia-fria tem a sorte de encontrar objetos valiosos e úteis para o seu dia-a-dia. De acordo com Adriana, aquilo que é descartado por muitos é bem-vindo em sua casa. Roupas, sapatos, enfeites, jóias, cafeteira, sanduicheira e aquário são alguns dos muitos objetos encontrados por ela. Além disso, ela já encontrou pacotes de sopas e bolos dentro do prazo de validade e prontos para serem consumidos.
Na pequena casa, com dois cômodos, localizada no jardim Alvorada, bairro periférico de Sertãozinho, ela mostra com alegria tudo o que tem e diz que a decoração e os objetos de uso doméstico, como copos e panelas, ela encontrou em seu trabalho.
Para que os recicladores possam levar os objetos para casa, há a necessidade da autorização do presidente. “Se um cooperado encontrar um rádio, por exemplo, e se ele não possuir esse objeto em casa, eu o autorizo a levar embora”, explicou.
Antes de ser recicladora, Adriana trabalhava no corte de cana. “Acordava 4 horas da manhã, preparava comida e ia para o trabalho. Só voltava no começo da noite. Comia comida fria, não tinha tempo para os meus filhos e não recebia o suficiente para alimentá-los”, desabafou.
Atualmente, ela ainda não ganha o que considera suficiente para alimentar uma família de cinco pessoas, mas diz que controla o orçamento para viver bem. Ela recebe a ajuda de moradores da cidade que doam alimentos e roupas.

Felicidade e emoção
Extrovertida, a ex-bóia-fria conta que é muito feliz em seu atual emprego. “Tenho amizade com todo mundo lá na cooperativa. Na hora do almoço quando não levo comida, meus amigos dividem a deles comigo e quando alguns deles não levam também divido. Nossa equipe é unida”, comentou.
Com os olhos cheios de lágrimas, Adriana contou que certo dia encontrou R$ 10 dentro do saco de lixo. “Estava sem mistura em casa, quando vi o dinheiro, pensei: `Ai meu Deus, que bênção´. E com aquele dinheiro comprei alimentos para os meus filhos e ainda comprei cigarro”, conclui emocionada.