| Rodolfo
Barbosa
Fernando Borges
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O voluntariado sempre nasce
de um impulso pessoal, solidário e de forte caráter
emocional, em direção ao fortalecimento
de uma sociedade civil mais autônoma. Não
desobrigando o Estado de suas funções
e responsabilidades, o cidadão assume a sua parcela
na condução de suas ações
e pela defesa aos interesses e necessidades coletivas.
Segundo recente pesquisa quantitativa, realizada pelo
ISER (Instituto de Estudos de Religião) em 2005,
22,6% dos adultos no Brasil doam alguma parte de seu
tempo para realizar ações voluntárias
em instituições ou para ajuda de pessoa
física fora de suas relações mais
próximas.
A Sociedade São Vicente de Paulo é uma
dessas instituições, movimento católico
internacional de leigos, fundada em Paris, na França,
no ano de 1833, por Antônio Frederico Ozanam e
alguns outros companheiros. Colocada sob o patrocínio
de São Vicente de Paulo, inspira-se no pensamento
e na obra deste Santo do séc. 17, esforçando-se,
sob o influxo da justiça e da caridade, para
aliviar os sofrimentos do próximo, mediante o
trabalho coordenado de seus membros, “Reunimo-nos
em conferência (grupos de no máximo quinze
pessoas) semanalmente por duas horas para tratar dos
problemas das famílias por nós assistidas,
através de doação de alimentos,
roupas, calçados, remédios entre outras
coisas”, relata Juliana Cristina de Castro, secretária
da conferência vicentina de Santos Reis.
A manutenção de todas essas atividades
sempre foi um grande obstáculo para essa entidade,
“Mantemo-nos exclusivamente de doações
espontâneas pessoais, em arrecadações
diretas nas casas, nas missas e através de promoções
e bazares feitos por nós; não recebemos
nenhuma ajuda de órgãos públicos”,
descreve Juliana.
No Brasil, a tradição do voluntariado
sempre esteve presente, seja na forma de doação
de dinheiro ou de tempo de trabalho. No entanto, a partir
dos últimos anos, está ocorrendo um processo
de transformação em seu significado e
em sua lógica de atuação, agora
sem distinções de pessoas, ganhando maior
profundidade e abrangência.
Nesse novo contexto, encaixa-se o CVV (Centro de Valorização
da Vida), um programa de apoio às pessoas abaladas
emocionalmente e previne o suicídio de muitos
desconsolados que ligam para o CVV. O Centro caracteriza-se
por ser um movimento filantrópico, civil, sem
fins lucrativos e desvinculado de religiões e
de políticas ideo-lógicas.
“O sofrimento que eu tive na vida despertou o
interesse em trabalhar como voluntária, ser útil
para outras pessoas e, assim, o ingresso no CVV foi
natural”, conta Zinéia Furlan, que trabalha
como ouvinte no Centro. Assim como acontece com a sociedade
São Vicente de Paulo, sustentar toda essa estrutura
isenta é um desafio diário para o CVV.
“O preço da nossa autonomia, de ser totalmente
livre de interferências é alto, haja promoção
(venda de pizzas, lasanhas etc.) e donativo”,
diz Zinéia.
Historicamente associado a um trabalho de caráter
religioso, assistencialista e de ajuda às pessoas
carentes e menos favorecidas, o voluntariado caminha
agora em direção à expressão
de uma ética da solidariedade e participação
cidadã. A motivação por valores
como da caridade, compaixão e amor ao próximo
junta-se à motivação por valores
como cidadania e participação responsável,
consciente e comprometida com a comunidade, tanto dos
indivíduos como das instituições.
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