Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Compromisso com a qualidade do Ensino Superior

Destaque

TV digital: o que muda em relação à qualidade?

Expediente

COTIDIANO

Projeto social dedica-se aos
cuidados com animais domésticos

Universitários participam de Congresso em
São Bernardo do Campo

Grupo Folclórico Barão de Mauá
faz renascer a cultura regional

Um novo significado para Voluntariado

ESPORTE

Esportes adaptados às deficiências

MEIO AMBIENTE

Os vilões do clima

O Avanço do Biodiesel no Brasil

A Terra só conseguirá preservar a água com consciência social e uso racional

Comitês Hidrográficos lutam pela preservação da água

EDUCAÇÃO E CIÊNCIA

Informação aumenta,
mas ao mesmo tempo confunde

Comitê de Ética em Pesquisa

CIDADANIA

Diferentes sim, incapazes não

VI Gincana Verde e Branco

ATUALIDADE

À espera de um código de ética

O processo de repasse de verbas a uma entidade social

Perigo dentro de casa

5º Festival da Comunicação
da Barão de Mauá

ESPORTE

Esportes adaptados às deficiências

Com muita garra e determinação, os deficientes destacam-se e conquistam medalhas

Íria Maria Tarlá pratica exercícios, sob orientação médica especializada, para recuperar a coordenação motora
Foto: Rafaela Cardoso Maione

Rafaela Cardoso Maione
Nayana Leboys Ferreira
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O esporte para deficientes começou a ser praticado na primeira década do século XX, primeiramente para portadores de deficiências auditivas e dez anos depois para deficientes visuais. Mas foi após a Segunda Guerra Mundial, em que foram mutilados muitos soldados, que a prática de esportes para deficientes físicos teve sua entrada significativa na sociedade.
Com isso os brasileiros estão se destacando nas competições que valorizam os deficientes físicos e mentais, e além do futebol, tradicional esporte de conquistas brasileiras, eles se destacam em vários outros.
O Professor de Educação Física e Técnicas Desportivas, José Antônio Monteiro Pereira, desenvolve em sua academia, em Ribeirão Preto, um trabalho que pode ser definido como treinamento para desenvolvimento recuperativo progressivo (TDRP), uma forma de trabalho de acompanhamento individual, que antes passa por uma fase de avaliação completa do aluno, com todos os objetivos gerais e específicos que necessita.
Desde 2003, José Antônio começou a desenvolver esse trabalho com algumas pessoas que tiveram, ou têm, algumas deficiências físicas, que não praticavam nenhuma atividade.
“Trabalho com pessoas de diversas idades, desde um garoto de oito anos, o Cristofer, até o Sr. Otávio de Freitas, de 86 anos, a forma de trabalho pode ser de Personal Trainer, ou um trabalho chamado Treino Personalizado, em que atendo até sete pessoas por hora, cada um com seu trabalho específico,” diz José Antônio.
São desenvolvidos trabalhos bem direcionados a cada caso, sendo a Coordenação Motora Geral a base deles, e depois vem a coordenação motora fina ou específica, o equilíbrio, a resistência muscular, os alongamentos e a força dinâmica e isométrica. “Estes trabalhos combinados darão uma grande capacidade para que o aluno observe e sinta uma evolução geral de melhorias que ele deseja, podendo habilitá-lo a desenvolver uma atividade física mais independente, ajudando-o até a começar um esporte que ele possa praticar de uma maneira básica nível iniciante ou adaptado”, completa o professor.
“Fico muito contente quando um aluno consegue desenvolver ações que ele tinha imensas dificuldades em realizar, e algumas pessoas ainda não davam grande importância ou atenção, deixando estes alunos com deficiências à margem das atividades, mas com o tempo todos observam as grandes melhorias que estas pessoas conseguem atingir e logo percebem que elas também podem fazer parte de uma sociedade em que todos são iguais,” conclui José Antônio.
Íria Maria Tarlá, 55 anos, é aluna de José Antônio e, devido à orientação médica, deu início a uma atividade física para melhorar a saúde em primeiro lugar e desenvolver a coordenação motora, pois teve problemas sérios neuro-lógicos quando criança devido a um tombo. “Nunca tive oportunidade de fazer esporte algum e hoje sinto que posso fazer até caminhadas na esteira e na rua.”
Íria conta que se sente ótima fazendo os treinamentos em geral, e diz que seus efeitos para a sua recuperação estão sendo ótimos também, sempre de forma evolutiva. “O profissional que me acompanha faz um trabalho muito bom, ele é ótimo e tem muita paciência, por isso está dando certo o treinamento,” conclui Íria Maria.
Em Ribeirão Preto há alguns projetos desportivos que visam ajudar de alguma forma no tratamento dessas defi-ciências. Na Cava do Bosque pessoas que sofrem de deficiência podem praticar aulas de natação e basquete sobre rodas.
“O esporte auxilia não só na recuperação e na fisioterapia, mas traz também de volta a alegria e a integridade do deficiente”, diz Wellington Henrique Barbara, Coordenador do Projeto Desportivo para Deficientes da Cava.
Wellington tem 33 anos, é casado e pai de dois filhos. Além de coordenar o projeto, ministra aulas gratuitas de basquete sobre rodas na Cava do Bosque. As aulas acontecem 2as, 4as e 6as das 18 às 20 h e a equipe já conta com 18 alunos cadeirantes que participam de vários campeonatos, entre eles o Campeonato Paulista. “As equipes são sempre mistas e todos competem com muita gana”, diz o coordenador que sofreu infecção na medula aos 15 anos e ficou cerca de seis anos sem andar. Após aceitar sua situação de deficiente físico, Wellington começou a fazer natação na Cava. Seu trabalho é voluntário e ele só conta financeira-mente com R$ 350,00 mensais da sua aposentadoria por invalidez.
Hoje em dia consegue caminhar - ainda com alguma dificuldade sem apoio de muletas e só se senta em alguma cadeira de rodas quando participa dos jogos de basquete sobre rodas. “A minha evolução foi incrível, eu só sinto falta de poder correr. Mas já estou satisfeito em poder andar, nadar, andar de bicicleta e ter uma vida normal.”
A maior dificuldade de manter o projeto é a falta de patrocínio e colaboração de quem poderia ajudar, mas não ajuda. A Secretaria do Esporte patrocina as equipes somente para participar de campeonatos dando transporte e alimentação nos dias dos jogos, mas Wellington afirma que os cadeirantes precisam de ajuda financeira contínua. Os deficientes reclamam também dos problemas encontrados no transporte urbano, pois nem todas as linhas possuem carros adaptados para subir cadeira de rodas, e mesmo sem pagar a passagem eles acabam passando por situações constrangedoras de pedir para outros os ajudarem a entrar e sair do ônibus.

 

Modalidades esportivas

Arco e flecha: Portadores de deficiência física, em pé ou sentados em cadeira de rodas, participam em competições.

Atletismo: Atletas portadores de deficiências visuais e físicas. Os competidores são agrupados em classes e disputam com adversários com deficiência igual ou semelhante. Aos deficientes visuais é permitida a utilização de sinais acústicos ou guias para assisti-los.

Basquete sobre rodas: Jogado por paraplégicos, amputados e atletas com poliomielite. Os regulamentos são praticamente os mesmos do convencional, com algumas adaptações: a cada dois movimentos com a cadeira o atleta tem que quicar pelo menos uma vez a bola no chão; colocar o pé no chão ou levantar da cadeira é falta.

Bocha: Atletas com paralisia cerebral lançam a bola o mais perto possível da bola branca.

Ciclismo: Atletas com paralisia cerebral, amputados e deficientes visuais recebem colaboração de guias.

Equitação: Atletas com paralisia cerebral, deficientes físicos, mentais e visuais são assistidos com comando de voz.

Esgrima: Atletas em cadeira de rodas, amputados e também os portadores de paralisia cerebral. Todos competem fixos ao solo e têm movimentos livres.

Futebol para atletas com paralisia cerebral: As regras têm algumas modificações, entre elas o número de jogadores (7), largura do gol, marca do pênalti, inexistência de impedimento e dimensão menor do campo. A partida é dividida em dois tempos de 25 minutos, com intervalo de 10 minutos.

Judô: Reservado para atletas masculinos, portadores de deficiência visual.

Natação: Para deficientes físicos e visuais, que têm permissão de receber aviso do treinador ao se aproximar da borda.

Tênis: Praticados por pessoas em cadeira de rodas. A bola pode quicar duas vezes, a primeira dentro da quadra.

Voleibol: É praticado por atletas amputados e lesados medulares em duas categorias: sentados e em pé.

Fonte: www.amputadosvencedores.com.br