| André
Luis Estevan
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O cuidado com o meio ambiente
hoje tornou-se uma preocupação mundial.
Comissões e ONGs estão espalhadas por
todo o mundo, e com o mesmo intuito: tentar preservar
o que resta do meio ambiente. Em dezembro de 1991, o
Estado de São Paulo, através da Lei Estadual
N.° 7.663, instituiu a Política Estadual
de Recursos Hídricos e o Sistema Integrado de
Gerenciamento de Recursos Hídricos, dividindo
o Estado de São Paulo em 22 Unidades de Gerenciamento
de Recursos Hídricos _ UGRHIs. “Em cada
UGRHIs, existe um comitê que fiscaliza e cuida
de sua respectiva área”, afirma a Secretária
de Meio Ambiente da cidade de Guariba e membra do comitê
da Bacia Hidro-gráfica do rio Mogi Guaçu,
Mirian Geraldi.
A Bacia Hidrográfica é o conjunto de meios
hídricos (aquáticos) cujos cursos (ou
leitos) se interligam. É um conjunto de terras
banhadas por um rio principal e seus tributários
afluentes e subafluentes. “É uma unidade
de planejamento onde uma comissão gerencia e
planeja o uso da água na bacia, fazendo com que
esta água dure por mais tempo”, explica
Mirian.
A Bacia Hidrográfica do Mogi Guaçu está
integrada na 9ª UGRHI e passou por vários
processos históricos de ocupação,
exploração agrícola, crescimentos
urbanos e populacionais, refletindo hoje a interiorização
da indústria e sua associação com
os mais variados setores da agricultura. “Essa
Bacia Hidrográfica caracteriza-se pela presença
de fragmentos florestais nativos, várzeas e lagoas
marginais, atividades agropecuárias entremeadas
com áreas urbanas com agroindústrias e
atividades de exploração direta do solo,
interligada por uma ramificada malha viária”,
destaca a secretária.
No ano de 2000, segundo o IBGE, a população
da 9ª UGRHI, composta por 38 municípios,
alcançou 1.292.885 habitantes. Em 2001, foram
incorporados à 9ª UGRHI mais três
municípios (Cravinhos, São Carlos e Vargem
Grande do Sul), dos quais não participaram dos
dados tabulados por pertenceram oficialmente ao Comitê
do Pardo e do Tietê / Jacaré.
Dentre as atribuições dos comitês
destacam-se a de articular a atuação das
entidades envolvidas com os recursos hídricos
e a de administrar os conflitos locais, estabelecendo
os mecanismos de cobrança pelo uso da água
e aprovação do plano de aplicação
dos recursos arrecadados. “Isso quer dizer que
os usuários da bacia deverão pagar tanto
pela retirada da água disponível na superfície
e no subsolo, como pela sua devolução
ao meio ambiente,” simplifica Mirian.
Além de fiscalizar o uso da água, os comitês
de bacia hidrográfica também desenvolvem
projetos específicos e campanhas de conscientização
ambiental para matas nativas, mais especificamente projetos
para micro bacias, afirma o comitê. Um exemplo
deste acontece na cidade de Jaboticabal. Está
em andamento um projeto de capitação da
água do Córrego Rico (rio onde é
extraída água para o consumo da cidade).
São feitos trabalhos de conscientização
no que diz respeito à retirada da água
e em relação a aterros sanitários,
para que o mesmo possa sempre manter-se limpo e com
nível pluviométrico ao ponto de atender
à demanda.
“Para que os Comitês possam trabalhar e
ajudar na manutenção das bacias, existe
uma verba estadual que é repassada para nós
e, em um futuro bem próximo, poderemos recebê-la
em nível federal. Ela é depositada em
uma conta e repassada de forma hierárquica, ou
seja, o setor ou município, que tem maior necessidade
de manutenção recebe a verba, mantendo
um sistema planejado”, explica Mirian. Esse dinheiro
pode ser destinado a diversos setores, como o caso de
replantação de mata nativa, de canalização
de esgotos, ou até mesmo na construção
de aterros sanitários, mais tudo isso de uma
maneira consciente e planejada.
Aproximadamente 70% da verba que chega ao Comitê
é destinada para a construção de
esgotos sanitários e os outros 30%, destinados
à construção de galerias e reflorestamento
de matas nativas, explica Mirian. “O esgoto tem
maior prioridade, pois, como trabalhamos com a conscientização
da água, é de importância primordial
devolver a água que retiramos do rio de forma
limpa, para que essa não se esgote e possa abastecer
as futuras gerações.”
Segundo a secretária que também faz parte
do Comitê da Bacia Hidrográfica, a principal
dificuldade do sistema de gerenciamento proposto pela
Política Nacional de Gerenciamento de Recursos
Hídricos - (PNGRH),- é que a criação
dos comitês e agências de água depende
principal-mente do grau de mobilização
da sociedade civil na área de abrangência
da bacia. Enquanto não há conflitos envolvendo
o uso da água, apesar da degradação
constante a que estão sujeitos os mananciais,
o controle e a fiscalização por parte
do Estado ficam restritos, ou seja, qualquer novo empreendimento
na área da bacia exige cadastro e autorização,
para que possa haver algum controle do que está
sendo feito com a água. Isto, no entanto, não
é capaz, por si só, de refrear a poluição.
Além disso, as diferenças regionais e
socioeconômicas, num país de dimensões
continentais como o Brasil, dificultam a fiscalização
e o acompanha-mento de tudo o que está se passando,
podendo comprometer o trabalho dos comitês e de
suas respectivas agências, inviabilizadas pela
dificuldade de cobrança.
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