Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Compromisso com a qualidade do Ensino Superior

Destaque

TV digital: o que muda em relação à qualidade?

Expediente

COTIDIANO

Projeto social dedica-se aos
cuidados com animais domésticos

Universitários participam de Congresso em
São Bernardo do Campo

Grupo Folclórico Barão de Mauá
faz renascer a cultura regional

Um novo significado para Voluntariado

ESPORTE

Esportes adaptados às deficiências

MEIO AMBIENTE

Os vilões do clima

O Avanço do Biodiesel no Brasil

A Terra só conseguirá preservar a água com consciência social e uso racional

Comitês Hidrográficos lutam pela preservação da água

EDUCAÇÃO E CIÊNCIA

Informação aumenta,
mas ao mesmo tempo confunde

Comitê de Ética em Pesquisa

CIDADANIA

Diferentes sim, incapazes não

VI Gincana Verde e Branco

ATUALIDADE

À espera de um código de ética

O processo de repasse de verbas a uma entidade social

Perigo dentro de casa

5º Festival da Comunicação
da Barão de Mauá

MEIO AMBIENTE

Comitês Hidrográficos lutam pela preservação da água

Planejamento do uso da água pode possibilitar vida longa a esse bem natural

 

André Luis Estevan
_____________________________________

 

O cuidado com o meio ambiente hoje tornou-se uma preocupação mundial. Comissões e ONGs estão espalhadas por todo o mundo, e com o mesmo intuito: tentar preservar o que resta do meio ambiente. Em dezembro de 1991, o Estado de São Paulo, através da Lei Estadual N.° 7.663, instituiu a Política Estadual de Recursos Hídricos e o Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos, dividindo o Estado de São Paulo em 22 Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos _ UGRHIs. “Em cada UGRHIs, existe um comitê que fiscaliza e cuida de sua respectiva área”, afirma a Secretária de Meio Ambiente da cidade de Guariba e membra do comitê da Bacia Hidro-gráfica do rio Mogi Guaçu, Mirian Geraldi.
A Bacia Hidrográfica é o conjunto de meios hídricos (aquáticos) cujos cursos (ou leitos) se interligam. É um conjunto de terras banhadas por um rio principal e seus tributários afluentes e subafluentes. “É uma unidade de planejamento onde uma comissão gerencia e planeja o uso da água na bacia, fazendo com que esta água dure por mais tempo”, explica Mirian.
A Bacia Hidrográfica do Mogi Guaçu está integrada na 9ª UGRHI e passou por vários processos históricos de ocupação, exploração agrícola, crescimentos urbanos e populacionais, refletindo hoje a interiorização da indústria e sua associação com os mais variados setores da agricultura. “Essa Bacia Hidrográfica caracteriza-se pela presença de fragmentos florestais nativos, várzeas e lagoas marginais, atividades agropecuárias entremeadas com áreas urbanas com agroindústrias e atividades de exploração direta do solo, interligada por uma ramificada malha viária”, destaca a secretária.
No ano de 2000, segundo o IBGE, a população da 9ª UGRHI, composta por 38 municípios, alcançou 1.292.885 habitantes. Em 2001, foram incorporados à 9ª UGRHI mais três municípios (Cravinhos, São Carlos e Vargem Grande do Sul), dos quais não participaram dos dados tabulados por pertenceram oficialmente ao Comitê do Pardo e do Tietê / Jacaré.
Dentre as atribuições dos comitês destacam-se a de articular a atuação das entidades envolvidas com os recursos hídricos e a de administrar os conflitos locais, estabelecendo os mecanismos de cobrança pelo uso da água e aprovação do plano de aplicação dos recursos arrecadados. “Isso quer dizer que os usuários da bacia deverão pagar tanto pela retirada da água disponível na superfície e no subsolo, como pela sua devolução ao meio ambiente,” simplifica Mirian.
Além de fiscalizar o uso da água, os comitês de bacia hidrográfica também desenvolvem projetos específicos e campanhas de conscientização ambiental para matas nativas, mais especificamente projetos para micro bacias, afirma o comitê. Um exemplo deste acontece na cidade de Jaboticabal. Está em andamento um projeto de capitação da água do Córrego Rico (rio onde é extraída água para o consumo da cidade). São feitos trabalhos de conscientização no que diz respeito à retirada da água e em relação a aterros sanitários, para que o mesmo possa sempre manter-se limpo e com nível pluviométrico ao ponto de atender à demanda.
“Para que os Comitês possam trabalhar e ajudar na manutenção das bacias, existe uma verba estadual que é repassada para nós e, em um futuro bem próximo, poderemos recebê-la em nível federal. Ela é depositada em uma conta e repassada de forma hierárquica, ou seja, o setor ou município, que tem maior necessidade de manutenção recebe a verba, mantendo um sistema planejado”, explica Mirian. Esse dinheiro pode ser destinado a diversos setores, como o caso de replantação de mata nativa, de canalização de esgotos, ou até mesmo na construção de aterros sanitários, mais tudo isso de uma maneira consciente e planejada.
Aproximadamente 70% da verba que chega ao Comitê é destinada para a construção de esgotos sanitários e os outros 30%, destinados à construção de galerias e reflorestamento de matas nativas, explica Mirian. “O esgoto tem maior prioridade, pois, como trabalhamos com a conscientização da água, é de importância primordial devolver a água que retiramos do rio de forma limpa, para que essa não se esgote e possa abastecer as futuras gerações.”
Segundo a secretária que também faz parte do Comitê da Bacia Hidrográfica, a principal dificuldade do sistema de gerenciamento proposto pela Política Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos - (PNGRH),- é que a criação dos comitês e agências de água depende principal-mente do grau de mobilização da sociedade civil na área de abrangência da bacia. Enquanto não há conflitos envolvendo o uso da água, apesar da degradação constante a que estão sujeitos os mananciais, o controle e a fiscalização por parte do Estado ficam restritos, ou seja, qualquer novo empreendimento na área da bacia exige cadastro e autorização, para que possa haver algum controle do que está sendo feito com a água. Isto, no entanto, não é capaz, por si só, de refrear a poluição. Além disso, as diferenças regionais e socioeconômicas, num país de dimensões continentais como o Brasil, dificultam a fiscalização e o acompanha-mento de tudo o que está se passando, podendo comprometer o trabalho dos comitês e de suas respectivas agências, inviabilizadas pela dificuldade de cobrança.