Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Há três anos o NAI realiza projetos de responsabilidade social

Expediente

COTIDIANO

Evento de conscientização sobre cidadania mobiliza estudantes e jovens

Enchente um problema urbanístico

O significado da Páscoa: ritos e lucros

ESPORTE

Lula Ferreira aposta na conquista do pan-americano

O lado triste do futebol pentacampeão do mundo

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

TV digital corre o risco de não ter conteúdo por falta de profissional especializado

EDUCAÇÃO

Alunos de Jornalismo do Barão desenvolvem
projeto sobre a Casa das Mangueiras

Carlos Cezar Barbosa, um intelectual do direito

Especialização é moeda forte em mercado competitivo

CULTURA

Arte de grafitar:
da cultura hip-hop para as ruas

Dançarinos do Crazy Jam
participam de festival internacional

SAÚDE

Ausência de proteção solar aumenta casos de câncer de pele

Depressão é doença e requer respeito para tratamento

ECONOMIA

Brasil quer liderança em combustíveis renováveis

Bagaço da cana pode ser fonte elétrica do futuro

Gastos dos estudantes chegam
a 30 milhões de reais por mês

POLÍTICA

PAC lança medidas que beneficiarão população de baixa renda

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

TV digital corre o risco de não ter conteúdo
por falta de profissional especializado

As emissoras fazem sua parte e vão lançar a TV digital no ano que vem, mas há falta de profissionais de comunicação para trabalhar com novas tecnologias

Charles Cruz, da agência ETCO Ogilvy: “Com a TV digital vamos ter que sair do quadrado, que é TV como conhecemos até hoje, com seus anúncios de 30”
Foto: Paulo Verri

Paulo Verri Filho
Aline Sandoval
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A idéia de uma TV digital brasileira está próxima de se tornar realidade, o projeto do Sistema Brasileiro de TV Digital - SBTVD encontra-se em contagem regressiva. Na região de Ribeirão Preto, das quatro principais emissoras de TV, duas já confirmaram o início das transmissões digitais para o primeiro semestre de 2008.
Segundo Fernando de Souza, supervisor de sistemas de engenharia da EPTV comenta que inicialmente a EPTV irá disponibilizar a TV digital - TVD para os municípios de Ribeirão Preto, Franca e Barretos.
A TV Clube também pretende inaugurar as transmissões digitais na mesma época. Carlos Cantarella, engenheiro eletrônico e elétrico do Sistema Clube de Comunicação afirma que sua emissora já tem know-how e dessa forma a TVD será uma evolução natural. “O equipamento chegando aqui em duas semanas eu coloco no ar”, diz Cantarella.
As outras emissoras, SBT e Record, embora estejam por dentro das modificações que em breve terão de enfrentar não possuem data para finalizar seus projetos de implantação.
Para especialistas a migração da TV analógica para a TVD, vai significar uma verdadeira revolução, mesmo com a permanência obrigatória do sinal analógico por dez anos. Quando o SBTVD tiver sido completamente implantado, será possível, assistir programas com imagens em altíssima definição, gravar programação sem a necessidade de queimar mídias, interagir em tempo real, optar entre diferentes ângulos da mesma transmissão, receber programas em celulares e em teves móveis.
Entretanto, ao mesmo tempo em que as novidades se tornarão disponíveis para a audiência, ou seja, para pessoas acostumadas a assistir novelas, futebol, telejornais, na TV aberta, a adoção de um novo padrão de TV no Brasil vai impor modificações conceituais e técnicas nas formas de se produzir, transmitir e comercializar TV. Em decorrência disso, vai surgir no próximo ano uma série inédita de possibilidades e exigências para profissionais e estudantes de comunicação social. Isso fará jornalistas e publicitários depararem-se em pouco tempo com uma realidade muito diferente da conhecida hoje, na qual clientes de agências de publicidade poderão, por exemplo, requisitar anúncios interativos e as direções de jornalismo necessitar de conteúdo jornalístico para celulares.
Valdecir Becker, jornalista e autor do livro: TV Digital Interativa: conceitos, desafios e perspectivas para o Brasil, cita alguns exemplos de aplicações que a TVD vai viabilizar. Para Becker as pessoas deverão acessar o conteúdo da TV de qualquer lugar. “Isso permitirá à propaganda chegar mais longe e atingir mais pessoas”, afirma.
Já no jornalismo, Becker acredita que será possível mesclar a cultura do rádio, mais acessível que a TV, e dessa maneira conseguir levar informações para lugares aonde a TV não chega ou é inviável.

 

O desafio para jornalistas e publicitários
O supervisor de engenharia, Fernando de Souza acredita que poderá não haver condições para explorar em 2008 um dos mais comentados recursos da TVD, a interatividade. “Dependemos de pessoas, idéias, coisa que hoje não existe”, afirma Souza.
Outra questão ainda indefinida, por estar relacionada diretamente com a necessidade de haver ou não profissionais disponíveis para desenvolver novos formatos de anúncios e programação, é a transmissão para dispositivos móveis, celulares e TVs portáteis. “Nós sabemos que vamos ter que transmitir para celular, só não sabemos o quê”, confessa Souza.
O jornalista e pesquisador, Denis Porto Renó considera compreensível a dificuldade da EPTV, pois não há um estudo aprofundado por parte das emissoras em relação a conteúdo. Renó é uma exceção entre os profissionais de comunicação social, pois estuda TVD como integrante do grupo CONTEC - Comunicação em Novas Tecnologias. Além disso, é professor de Novas Tecnologias do curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá. “O mais importante para nós é conteúdo, somos fazedores de conteúdo e não apertadores de botão”, afirma Renó.
Por outro lado, ele explica que a necessidade de se transmitir para celulares é impulsionada principalmente pela indústria dos aparelhos, que já conta com mais de 100 milhões de usuários no Brasil. “Os celulares já transmitem vídeo há anos, as operadoras não têm conteúdo, compra-se para assistir baboseira”, e completa, “a Siemens - um fabricante - já está na terceira edição do festival de conteúdos para dispositivos moveis”.
Uma outra novidade da TVD que poderá demandar mais mão-de-obra é a transmissão em multicasting - a possibilidade de transmitir mais de um programa, ao mesmo tempo em um mesmo canal.
A TV Clube, por enquanto, é a única das emissoras regionais que pretende explorar a múltipla programação. “A Clube é favorável, o meu servidor de news - notícias - gera três canais”, afirmou Carlos Cantarella, numa referência direta a geração de conteúdo jornalístico. Se confirmada a previsão do engenheiro, a TV Clube deverá criar novas grades de programação para os canais, conseqüentemente, surgirão novos programas jornalísticos.
Para o mercado de trabalho é justamente esse um dos maiores benefícios da TVD, se as emissoras decidirem utilizar o recurso, a partir do ano que vem uma vasta rede de novos canais aparecerão e, necessariamente, alguém terá que cuidar dos seus conteúdos. A maior delas, a Globo, e sua afiliada regional, a EPTV, já optaram por manter apenas um canal. Segundo Fernando de Souza, sua empresa vai priorizar a qualidade em quanto não houver conteúdo adequado para mais de um canal.
Já para o publicitário Charles Cruz, diretor de criação da ETCO Ogilvy, os seus colegas vão enfrentar complicações se não se prepararem para a TVD, pois o consumidor vai poder usar o controle não apenas para mudar de canal, como também para eliminar a propaganda.
A preocupação de Charles fica fácil de ser compreendida quando se descobre que a sua empresa é responsável pela publicidade do principal anunciante regional de varejo na TV, o Magazine Luiza. “Com certeza o Magazine Luiza vai nos provocar daqui a pouco, ou vai chegar algum projeto piloto com alguma emissora”.
Cruz também aponta dificuldades no quesito se capacitar para a TVD. Ele aponta problemas organizacionais nas agências de publicidade que atrapalham a especialização dos profissionais. Para o diretor de criação, elas desenvolvem mídias alternativas e interativas para Internet, nos seus departamentos “ponto com”, que servem como um laboratório para a TVD, mas isso acontece em estruturas internas departamentalizadas.
Com isso, Charles evidencia uma divisão entre profissionais que trabalham com novas tecnologias, necessários para ajudar a compreender a TVD, e outros limitados às técnicas existentes até hoje, mais relacionados a TV analógica convencional. “A criação está vivendo meio à moda antiga, temos que nos integrar mais”, disse Charles.
Porém, esse despreparo dos jornalistas e publicitários não é uma exclusividade do interior do Estado. Em São Paulo, só agora, há menos de um ano do início das transmissões digitais nas principais praças, surgem as primeiras iniciativas no sentido de aprofundar conhecimentos sobre a TVD e suas possibilidades. A McCann Erickson, segunda maior agência do País, está criando um núcleo que servirá como laboratório de desenvolvimento de formatos inéditos de publicidade. Também nos dias 6 e 7/3/2007 aconteceu pela primeira vez o Encontro Internacional de Comunicação Digital na capital, em que foram discutidos assuntos como: resultado e eficiência na mídia digital, o que o futuro prepara à comunicação digital.