| Paulo
Verri Filho
Aline Sandoval
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A idéia de uma TV
digital brasileira está próxima de se
tornar realidade, o projeto do Sistema Brasileiro de
TV Digital - SBTVD encontra-se em contagem regressiva.
Na região de Ribeirão Preto, das quatro
principais emissoras de TV, duas já confirmaram
o início das transmissões digitais para
o primeiro semestre de 2008.
Segundo Fernando de Souza, supervisor de sistemas de
engenharia da EPTV comenta que inicialmente a EPTV irá
disponibilizar a TV digital - TVD para os municípios
de Ribeirão Preto, Franca e Barretos.
A TV Clube também pretende inaugurar as transmissões
digitais na mesma época. Carlos Cantarella, engenheiro
eletrônico e elétrico do Sistema Clube
de Comunicação afirma que sua emissora
já tem know-how e dessa forma a TVD será
uma evolução natural. “O equipamento
chegando aqui em duas semanas eu coloco no ar”,
diz Cantarella.
As outras emissoras, SBT e Record, embora estejam por
dentro das modificações que em breve terão
de enfrentar não possuem data para finalizar
seus projetos de implantação.
Para especialistas a migração da TV analógica
para a TVD, vai significar uma verdadeira revolução,
mesmo com a permanência obrigatória do
sinal analógico por dez anos. Quando o SBTVD
tiver sido completamente implantado, será possível,
assistir programas com imagens em altíssima definição,
gravar programação sem a necessidade de
queimar mídias, interagir em tempo real, optar
entre diferentes ângulos da mesma transmissão,
receber programas em celulares e em teves móveis.
Entretanto, ao mesmo tempo em que as novidades se tornarão
disponíveis para a audiência, ou seja,
para pessoas acostumadas a assistir novelas, futebol,
telejornais, na TV aberta, a adoção de
um novo padrão de TV no Brasil vai impor modificações
conceituais e técnicas nas formas de se produzir,
transmitir e comercializar TV. Em decorrência
disso, vai surgir no próximo ano uma série
inédita de possibilidades e exigências
para profissionais e estudantes de comunicação
social. Isso fará jornalistas e publicitários
depararem-se em pouco tempo com uma realidade muito
diferente da conhecida hoje, na qual clientes de agências
de publicidade poderão, por exemplo, requisitar
anúncios interativos e as direções
de jornalismo necessitar de conteúdo jornalístico
para celulares.
Valdecir Becker, jornalista e autor do livro: TV Digital
Interativa: conceitos, desafios e perspectivas para
o Brasil, cita alguns exemplos de aplicações
que a TVD vai viabilizar. Para Becker as pessoas deverão
acessar o conteúdo da TV de qualquer lugar. “Isso
permitirá à propaganda chegar mais longe
e atingir mais pessoas”, afirma.
Já no jornalismo, Becker acredita que será
possível mesclar a cultura do rádio, mais
acessível que a TV, e dessa maneira conseguir
levar informações para lugares aonde a
TV não chega ou é inviável.
O desafio para jornalistas
e publicitários
O supervisor de engenharia, Fernando de Souza acredita
que poderá não haver condições
para explorar em 2008 um dos mais comentados recursos
da TVD, a interatividade. “Dependemos de pessoas,
idéias, coisa que hoje não existe”,
afirma Souza.
Outra questão ainda indefinida, por estar relacionada
diretamente com a necessidade de haver ou não
profissionais disponíveis para desenvolver novos
formatos de anúncios e programação,
é a transmissão para dispositivos móveis,
celulares e TVs portáteis. “Nós
sabemos que vamos ter que transmitir para celular, só
não sabemos o quê”, confessa Souza.
O jornalista e pesquisador, Denis Porto Renó
considera compreensível a dificuldade da EPTV,
pois não há um estudo aprofundado por
parte das emissoras em relação a conteúdo.
Renó é uma exceção entre
os profissionais de comunicação social,
pois estuda TVD como integrante do grupo CONTEC - Comunicação
em Novas Tecnologias. Além disso, é professor
de Novas Tecnologias do curso de Jornalismo do Centro
Universitário Barão de Mauá. “O
mais importante para nós é conteúdo,
somos fazedores de conteúdo e não apertadores
de botão”, afirma Renó.
Por outro lado, ele explica que a necessidade de se
transmitir para celulares é impulsionada principalmente
pela indústria dos aparelhos, que já conta
com mais de 100 milhões de usuários no
Brasil. “Os celulares já transmitem vídeo
há anos, as operadoras não têm conteúdo,
compra-se para assistir baboseira”, e completa,
“a Siemens - um fabricante - já está
na terceira edição do festival de conteúdos
para dispositivos moveis”.
Uma outra novidade da TVD que poderá demandar
mais mão-de-obra é a transmissão
em multicasting - a possibilidade de transmitir mais
de um programa, ao mesmo tempo em um mesmo canal.
A TV Clube, por enquanto, é a única das
emissoras regionais que pretende explorar a múltipla
programação. “A Clube é favorável,
o meu servidor de news - notícias - gera três
canais”, afirmou Carlos Cantarella, numa referência
direta a geração de conteúdo jornalístico.
Se confirmada a previsão do engenheiro, a TV
Clube deverá criar novas grades de programação
para os canais, conseqüentemente, surgirão
novos programas jornalísticos.
Para o mercado de trabalho é justamente esse
um dos maiores benefícios da TVD, se as emissoras
decidirem utilizar o recurso, a partir do ano que vem
uma vasta rede de novos canais aparecerão e,
necessariamente, alguém terá que cuidar
dos seus conteúdos. A maior delas, a Globo, e
sua afiliada regional, a EPTV, já optaram por
manter apenas um canal. Segundo Fernando de Souza, sua
empresa vai priorizar a qualidade em quanto não
houver conteúdo adequado para mais de um canal.
Já para o publicitário Charles Cruz, diretor
de criação da ETCO Ogilvy, os seus colegas
vão enfrentar complicações se não
se prepararem para a TVD, pois o consumidor vai poder
usar o controle não apenas para mudar de canal,
como também para eliminar a propaganda.
A preocupação de Charles fica fácil
de ser compreendida quando se descobre que a sua empresa
é responsável pela publicidade do principal
anunciante regional de varejo na TV, o Magazine Luiza.
“Com certeza o Magazine Luiza vai nos provocar
daqui a pouco, ou vai chegar algum projeto piloto com
alguma emissora”.
Cruz também aponta dificuldades no quesito se
capacitar para a TVD. Ele aponta problemas organizacionais
nas agências de publicidade que atrapalham a especialização
dos profissionais. Para o diretor de criação,
elas desenvolvem mídias alternativas e interativas
para Internet, nos seus departamentos “ponto com”,
que servem como um laboratório para a TVD, mas
isso acontece em estruturas internas departamentalizadas.
Com isso, Charles evidencia uma divisão entre
profissionais que trabalham com novas tecnologias, necessários
para ajudar a compreender a TVD, e outros limitados
às técnicas existentes até hoje,
mais relacionados a TV analógica convencional.
“A criação está vivendo meio
à moda antiga, temos que nos integrar mais”,
disse Charles.
Porém, esse despreparo dos jornalistas e publicitários
não é uma exclusividade do interior do
Estado. Em São Paulo, só agora, há
menos de um ano do início das transmissões
digitais nas principais praças, surgem as primeiras
iniciativas no sentido de aprofundar conhecimentos sobre
a TVD e suas possibilidades. A McCann Erickson, segunda
maior agência do País, está criando
um núcleo que servirá como laboratório
de desenvolvimento de formatos inéditos de publicidade.
Também nos dias 6 e 7/3/2007 aconteceu pela primeira
vez o Encontro Internacional de Comunicação
Digital na capital, em que foram discutidos assuntos
como: resultado e eficiência na mídia digital,
o que o futuro prepara à comunicação
digital.
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