Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Há três anos o NAI realiza projetos de responsabilidade social

Expediente

COTIDIANO

Evento de conscientização sobre cidadania mobiliza estudantes e jovens

Enchente um problema urbanístico

O significado da Páscoa: ritos e lucros

ESPORTE

Lula Ferreira aposta na conquista do pan-americano

O lado triste do futebol pentacampeão do mundo

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

TV digital corre o risco de não ter conteúdo por falta de profissional especializado

EDUCAÇÃO

Alunos de Jornalismo do Barão desenvolvem
projeto sobre a Casa das Mangueiras

Carlos Cezar Barbosa, um intelectual do direito

Especialização é moeda forte em mercado competitivo

CULTURA

Arte de grafitar:
da cultura hip-hop para as ruas

Dançarinos do Crazy Jam
participam de festival internacional

SAÚDE

Ausência de proteção solar aumenta casos de câncer de pele

Depressão é doença e requer respeito para tratamento

ECONOMIA

Brasil quer liderança em combustíveis renováveis

Bagaço da cana pode ser fonte elétrica do futuro

Gastos dos estudantes chegam
a 30 milhões de reais por mês

POLÍTICA

PAC lança medidas que beneficiarão população de baixa renda

COTIDIANO

O significado da Páscoa: ritos e lucros

Domingo de páscoa, época de reunir a família, comer chocolate, e celebrar seu lado religioso

A Igreja Católica inicia seu rito várias semanas antes do feriado
Foto: David / Lorrane

Alexandre Carlomagno
Haroldo Rosa Barbosa
Lívia Marcele Marques da Costa Santos
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A libertação do povo Israelita do Egito, sacrifício, sangue, o cordeiro de Deus, a vitória de Jesus sobre a morte, ressurreição, o espírito, a reencarnação, oportunidade de ganhar dinheiro, ovos de chocolate, coelhinho da páscoa, tradição. A relação entre essas palavras pode parecer incoerente, mas é a síntese de um único dia: a Páscoa. Um feriado que, assim como outros, por exemplo o Natal, pode ser visto por dois prismas: o comercial e o religioso. E por ter um lado comercial significativo, vem perdendo seu valor místico e religioso para a população.
A preparação para o dia da Páscoa não é restrita a um dia para algumas religiões. A Igreja Católica inicia seu rito várias semanas antes do feriado, no mês de fevereiro, precisamente na quarta-feira de cinzas, após a terça-feira de carnaval, e vai até a quinta-feira santa, no mês de abril, em que começa sua celebração chamada “tríduo pascal”, antecedendo o Domingo de Páscoa, que consiste em uma missa especial comemorando os três dias: quinta-feira santa A Páscoa da Ceia, sexta-feira santa a Páscoa da Cruz e sábado santo a Páscoa da Ressurreição, “no qual vivenciamos de forma condensada o mistério Pascal de Cristo, que se desdobra nas celebrações do Tríduo Sacro de sua morte, sepultura e ressurreição”, diz padre Angelo Crivelaro, da Paróquia São João.
Segundo o padre, na páscoa cristã é celebrada a ressurreição de Jesus Cristo, seu trunfo sobre a morte e o pecado, “Celebrar a Páscoa ou o mistério pascal - memória da paixão, morte e ressurreição de Cristo - é testemunhar nossa fé na vida, na vitória do bem”, completa padre Angelo.
No Judaísmo é comemorado a Pessach (Páscoa em grego), cujo significado, “pulou”, “simboliza o dia em que Deus pulou a casa dos Israelitas e exterminou todos os primogênitos dos egípcios. Quando Deus quer uma nação pelo seu orgulho, começa a punir os deuses de uma outra nação, nesse caso o Egito, para demonstrar suas fraquezas, já que para a liturgia judaica Deus é um só”, explica o representante da Sociedade Israelita de Ribeirão Preto SIRP, Weder Teixeira.
Na noite do Domingo de Páscoa é costume os judeus limparem suas casas, queimando, simbolicamente, e eliminando qualquer vestígio de fermento, o símbolo da vaidade e do ego, “alguns até queimam grão-de-bico e feijão, pois eles incham ao serem mergulhados na água”, completa Weder.
Na Igreja Evangélica as festividades e preparações são outras, diferentes dos católicos, eles comemoram o feriado no domingo, sem se anteciparem, realizando um único culto especial para celebrar a emancipação do povo Israelita da escravidão no dia da Páscoa e, “como a Bíblia diz que todo pecado precisa ser pago com sacrifício, com sangue, durante a celebração do povo judeu foi sacrificado um cordeiro, e esse cordeiro simboliza Jesus Cristo, que foi imolado para libertação e salvação de todos os pecados”, diz pastor Luiz Alberto, da Igreja Batista.
O povo judeu, na época pós-escravidão, comia pães-ázimos (pão feito sem fermento), juntamente com ervas amargas, simbolizando o vencimento sobre a amargura da escravidão, por isso, “durante o culto, fazemos uma oração especial, abençoando a vida do povo, e de acordo com a palavra de Deus é ensinado o motivo da Páscoa, passando o pão e as ervas amargas para cada um dos presentes”, acrescenta o pastor Wagner Roberto Aversa, da Igreja Evangélica.
Já a Doutrina Espírita, na linha de Allan Kardec, vê a Páscoa de uma maneira bem distinta se comparada com as demais pois, para ela, “é uma festa em que hebreus comemoram a ressurreição, ressurgir, o que para nós é reencarnação, porque a ciência comprova que não é possível ressurgir no mesmo corpo”, diz a espírita Lucia Rezende.
“Nós não temos comemoração especial, mas respeitamos as das outras doutrinas. Não nos ligamos em datas porque, para nós, as atitudes que as datas especiais trazem precisam ser feitas todo o tempo, nem colocamos ramos para benzer, porque ele só é válido se temos fé, e temos boas atitudes para com o próximo e em sintonia com Deus”, completa Lúcia.

 

O coelhinho da Páscoa e seu ovo de chocolate
Quanto aos deliciosos ovos de chocolate que tanto se anseia para degustar no domingo não possuem relação com qualquer significado histórico religioso. A tradição de presentear a família com ovos coloridos vem da China, em comemoração da Festa da Primavera que, no Hemisfério Norte, coincide com os meses de março e abril, e ao passar dos anos outras culturas ao redor do mundo aderiram ao costume, chegando a fazer ovos de madeira, até mesmo de ouro com pedras preciosas.
O tão conhecido ovo de chocolate surgiu somente com o advento das indútrias de chocolate e, “junto com o Natal, a Páscoa é um dos melhores feriados, representando um acréscimo de 30% nas vendas”, diz a gerente financeira da Le Bombom Aline Crossard. “Já o coelhinho da Páscoa, apesar de ser um mamífero e não botar ovos, assumiu o posto de entregador por simbolizar a fertilidade, juntamente com os ovos, que representam o surgimento de uma nova vida”, explica a nutricionista Roberta Stella.
Para tentar reverter o quadro do mero consumo na Páscoa seria necessário que, segundo padre Angelo, as pessoas se conscientizem do que é realmente a Páscoa. “A humanidade está vivendo uma grave crise de identidade, no sentido de que perdeu até mesmo o sentido da vida. O apóstolo Paulo nos adverte: se temos esperança tão somente para esta vida, somos os mais dignos de compaixão de todos os homens. Vivemos em um mundo onde há uma grande preocupação, somente com o hoje e esquecemos que a nossa vida é passado, presente e futuro”, declara padre Angelo.
Já o pastor Avesa acredita que as pessoas comemoram a Páscoa da maneira como foi ensinado fora da Igreja, tendo o feriado como uma forma de comércio, para incentivar o povo a gastar, e que, “não só a Páscoa, mas todas as festas, antes de comemorarem, procurar saber o significado, qual sua origem”, completa o pastor Avesa.
A espírita Lúcia Rezende acha que a transformação só virá quando começarem a educar as crianças para o “ser”, e não para o “ter”, “e ensinar o verdadeiro objetivo no Natal, que é dividirmos com o nosso próximo que é nosso irmão, não somente em Natal sem fomes, mas sim um ano sem fome, que a Páscoa não é só chocolate, mas que Jesus nos deixou o exemplo de perdoar e a certeza que nosso espírito, dependendo do que plantamos em nossa vida terrena, sobe para Deus, e o corpo fica para decompor”.
Para Weder Teixeira “os judeus não são um povo consumista na sua essência, o judeu é um ser humano qualquer, fruto do meio-ambiente da humanidade. Nossos rabinos nos ensinam a nos confortar com aquilo que temos, a não esquecer de Deus, não se ocupar com mais um trabalho, ou com o que vamos comer amanhã e ficar na posição de escravo”.