| Alexandre
Carlomagno
Haroldo Rosa Barbosa
Lívia Marcele Marques da Costa Santos
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A libertação
do povo Israelita do Egito, sacrifício, sangue,
o cordeiro de Deus, a vitória de Jesus sobre
a morte, ressurreição, o espírito,
a reencarnação, oportunidade de ganhar
dinheiro, ovos de chocolate, coelhinho da páscoa,
tradição. A relação entre
essas palavras pode parecer incoerente, mas é
a síntese de um único dia: a Páscoa.
Um feriado que, assim como outros, por exemplo o Natal,
pode ser visto por dois prismas: o comercial e o religioso.
E por ter um lado comercial significativo, vem perdendo
seu valor místico e religioso para a população.
A preparação para o dia da Páscoa
não é restrita a um dia para algumas religiões.
A Igreja Católica inicia seu rito várias
semanas antes do feriado, no mês de fevereiro,
precisamente na quarta-feira de cinzas, após
a terça-feira de carnaval, e vai até a
quinta-feira santa, no mês de abril, em que começa
sua celebração chamada “tríduo
pascal”, antecedendo o Domingo de Páscoa,
que consiste em uma missa especial comemorando os três
dias: quinta-feira santa A Páscoa da Ceia, sexta-feira
santa a Páscoa da Cruz e sábado santo
a Páscoa da Ressurreição, “no
qual vivenciamos de forma condensada o mistério
Pascal de Cristo, que se desdobra nas celebrações
do Tríduo Sacro de sua morte, sepultura e ressurreição”,
diz padre Angelo Crivelaro, da Paróquia São
João.
Segundo o padre, na páscoa cristã é
celebrada a ressurreição de Jesus Cristo,
seu trunfo sobre a morte e o pecado, “Celebrar
a Páscoa ou o mistério pascal - memória
da paixão, morte e ressurreição
de Cristo - é testemunhar nossa fé na
vida, na vitória do bem”, completa padre
Angelo.
No Judaísmo é comemorado a Pessach (Páscoa
em grego), cujo significado, “pulou”, “simboliza
o dia em que Deus pulou a casa dos Israelitas e exterminou
todos os primogênitos dos egípcios. Quando
Deus quer uma nação pelo seu orgulho,
começa a punir os deuses de uma outra nação,
nesse caso o Egito, para demonstrar suas fraquezas,
já que para a liturgia judaica Deus é
um só”, explica o representante da Sociedade
Israelita de Ribeirão Preto SIRP, Weder Teixeira.
Na noite do Domingo de Páscoa é costume
os judeus limparem suas casas, queimando, simbolicamente,
e eliminando qualquer vestígio de fermento, o
símbolo da vaidade e do ego, “alguns até
queimam grão-de-bico e feijão, pois eles
incham ao serem mergulhados na água”, completa
Weder.
Na Igreja Evangélica as festividades e preparações
são outras, diferentes dos católicos,
eles comemoram o feriado no domingo, sem se anteciparem,
realizando um único culto especial para celebrar
a emancipação do povo Israelita da escravidão
no dia da Páscoa e, “como a Bíblia
diz que todo pecado precisa ser pago com sacrifício,
com sangue, durante a celebração do povo
judeu foi sacrificado um cordeiro, e esse cordeiro simboliza
Jesus Cristo, que foi imolado para libertação
e salvação de todos os pecados”,
diz pastor Luiz Alberto, da Igreja Batista.
O povo judeu, na época pós-escravidão,
comia pães-ázimos (pão feito sem
fermento), juntamente com ervas amargas, simbolizando
o vencimento sobre a amargura da escravidão,
por isso, “durante o culto, fazemos uma oração
especial, abençoando a vida do povo, e de acordo
com a palavra de Deus é ensinado o motivo da
Páscoa, passando o pão e as ervas amargas
para cada um dos presentes”, acrescenta o pastor
Wagner Roberto Aversa, da Igreja Evangélica.
Já a Doutrina Espírita, na linha de Allan
Kardec, vê a Páscoa de uma maneira bem
distinta se comparada com as demais pois, para ela,
“é uma festa em que hebreus comemoram a
ressurreição, ressurgir, o que para nós
é reencarnação, porque a ciência
comprova que não é possível ressurgir
no mesmo corpo”, diz a espírita Lucia Rezende.
“Nós não temos comemoração
especial, mas respeitamos as das outras doutrinas. Não
nos ligamos em datas porque, para nós, as atitudes
que as datas especiais trazem precisam ser feitas todo
o tempo, nem colocamos ramos para benzer, porque ele
só é válido se temos fé,
e temos boas atitudes para com o próximo e em
sintonia com Deus”, completa Lúcia.
O coelhinho da Páscoa
e seu ovo de chocolate
Quanto aos deliciosos ovos de chocolate que tanto se
anseia para degustar no domingo não possuem relação
com qualquer significado histórico religioso.
A tradição de presentear a família
com ovos coloridos vem da China, em comemoração
da Festa da Primavera que, no Hemisfério Norte,
coincide com os meses de março e abril, e ao
passar dos anos outras culturas ao redor do mundo aderiram
ao costume, chegando a fazer ovos de madeira, até
mesmo de ouro com pedras preciosas.
O tão conhecido ovo de chocolate surgiu somente
com o advento das indútrias de chocolate e, “junto
com o Natal, a Páscoa é um dos melhores
feriados, representando um acréscimo de 30% nas
vendas”, diz a gerente financeira da Le Bombom
Aline Crossard. “Já o coelhinho da Páscoa,
apesar de ser um mamífero e não botar
ovos, assumiu o posto de entregador por simbolizar a
fertilidade, juntamente com os ovos, que representam
o surgimento de uma nova vida”, explica a nutricionista
Roberta Stella.
Para tentar reverter o quadro do mero consumo na Páscoa
seria necessário que, segundo padre Angelo, as
pessoas se conscientizem do que é realmente a
Páscoa. “A humanidade está vivendo
uma grave crise de identidade, no sentido de que perdeu
até mesmo o sentido da vida. O apóstolo
Paulo nos adverte: se temos esperança tão
somente para esta vida, somos os mais dignos de compaixão
de todos os homens. Vivemos em um mundo onde há
uma grande preocupação, somente com o
hoje e esquecemos que a nossa vida é passado,
presente e futuro”, declara padre Angelo.
Já o pastor Avesa acredita que as pessoas comemoram
a Páscoa da maneira como foi ensinado fora da
Igreja, tendo o feriado como uma forma de comércio,
para incentivar o povo a gastar, e que, “não
só a Páscoa, mas todas as festas, antes
de comemorarem, procurar saber o significado, qual sua
origem”, completa o pastor Avesa.
A espírita Lúcia Rezende acha que a transformação
só virá quando começarem a educar
as crianças para o “ser”, e não
para o “ter”, “e ensinar o verdadeiro
objetivo no Natal, que é dividirmos com o nosso
próximo que é nosso irmão, não
somente em Natal sem fomes, mas sim um ano sem fome,
que a Páscoa não é só chocolate,
mas que Jesus nos deixou o exemplo de perdoar e a certeza
que nosso espírito, dependendo do que plantamos
em nossa vida terrena, sobe para Deus, e o corpo fica
para decompor”.
Para Weder Teixeira “os judeus não são
um povo consumista na sua essência, o judeu é
um ser humano qualquer, fruto do meio-ambiente da humanidade.
Nossos rabinos nos ensinam a nos confortar com aquilo
que temos, a não esquecer de Deus, não
se ocupar com mais um trabalho, ou com o que vamos comer
amanhã e ficar na posição de escravo”.
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