| Corrêa
Júnior
Rafael Martinez
_____________________________________
Ao longo dos últimos
anos, os clientes das lan houses de Ribeirão
Preto mudaram de perfil. Das crianças que escapavam
das escolas para brincar com jogos violentos em rede,
aos universitários em busca da nova tecnologia
virtual, tanto para estudar como para passar o tempo.
Segundo proprietários das casas que disponibilizam
computadores com acesso à internet, essa mudança
é notória devido à implementação
de leis que restringem a presença de menores.
De acordo com a proprietária de lan house, Valéria
Sten, a presença de estudantes de nível
superior aumenta a cada dia. “Eles buscam a nossa
tecnologia de ponta e a rapidez da internet para fazer
trabalhos da faculdade, além de descarregarem
suas máquinas digitais aqui. O MSN e o orkut
também são muito visitados por eles”,
disse ela. “Nós oferecemos algumas vantagens
e promoções para os freqüentadores
e isso nos traz uma boa clientela”, completou.
As leis
O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin,
assinou em 2006 a regulamentação da lei
que padroniza o funcionamento de lan houses ou cyber
cafés. Os estabelecimentos devem fazer cadastros
dos usuários (endereço, telefone e data
de nascimento) para controlar o acesso de adolescentes
e coibir a prática de crimes virtuais, como clonagem
de cartões e ações de hackers.
A lei exige também registro de documento de identidade,
horários de entrada e saída dos freqüentadores
e identificação de equipamentos usados
pelos clientes, além de proibir a entrada de
menores de 12 anos que estejam sem os responsáveis.
Acima dessa idade, até os 16 anos, apenas é
permitida a entrada com a autorização
por escrito dos pais. A proibição também
existe para as lan houses que permitirem a presença
de menores de 18 anos até a meia-noite.
Mesmo com a regra imposta em legislação
estadual, muitos adolescentes confessam que conseguem
burlar as autoridades. “Não há fiscalização.
Assim, as lan houses acabam deixando nossos filhos usarem
os computadores para não perder dinheiro”,
disse Roseli Silveira Rocha, mãe de uma estudante
de 15 anos. “É preciso um maior controle
da polícia”, ressaltou ela.
No ano passado em Ribeirão Preto, foi aprovado,
pela Câmara Municipal da cidade, um projeto de
lei que proíbe a instalação dessas
empresas a menos de 200 metros de escolas, a venda de
cigarros e bebidas alcoólicas e a utilização
de jogos de azar.
Promoções
A maioria das lan houses de Ribeirão Preto oferece
promoções para os usuários fixos
a fim de não perder clientes para a concorrência.
Entre outras, a que mais chama a atenção
em algumas, são as horas compradas com antecedência
a preços mais atrativos.
“Oferecemos dez horas por dez reais, ou seja,
damos 50% de desconto para quem comprar antecipado”,
disse Valéria Sten. “A pessoa compra as
horas e pode gastá-las em vários dias
e horários. Não precisa ser de uma vez
só”, informou.
Os universitários que vêm de outras cidades
para estudar em Ribeirão são os mais assíduos
freqüentadores e aproveitam as promoções.
“Estou todo dia aqui. Compro as horas mais baratas
e gasto durante o mês. Às vezes, uso até
para passar o tempo”, falou Márcio Caíque
Ribeiro, de São Sebastião do Paraíso.
|