| Bruno
Bellomi
Paulo Ramazza
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Plano Diretor é um
conjunto de regras básicas, aprovadas por lei,
que visa organizar o crescimento e o funcionamento da
cidade por meio de diretrizes urbanísticas e
fundamentos jurídicos, além da inclusão
do debate popular nas fases de criação
do Plano. Este projeto é aprovado na Câmara
Municipal e passa por diversos estudos técnicos
que analisam as características físicas,
as atividades predominantes e as vocações
da cidade, os problemas e as potencialidades. “Nele
é definido como, para onde e em que áreas
a cidade vai se desenvolver”, explicou o professor
Mário Pascarelli Filho, especialista em Gerência
de Cidades.
Cidades com mais de 20 mil habitantes, integrantes de
regiões metropolitanas e aglomerações
urbanas ou, ainda, integrantes de área de interesse
turístico (segundo definições dos
estados e da União), obrigatoriamente, têm
que possuir um Plano Diretor.
A participação da sociedade é fundamental
nesse processo, tanto que, em 2001, o Movimento Nacional
de Reforma Urbana, composta por milhões de pessoas,
conseguiu incluir no texto da Constituição
o “direito à cidade e a função
social da propriedade”, lei conhecida como Estatuto
da Cidade.
Aqüífero
Guarani: descaso político
O Plano Diretor é dividido em Leis Complemen-tares,
que são: Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação
do Solo, Código de Obras, Lei de Plano Viário,
Lei do Mobiliário Urbano e Código do Meio
Ambiente. Ele tem que ser revisado a cada dez anos,
não impedindo que dentre esse tempo se possam
fazer alterações, desde que seja notada
uma melhora considerável no item a ser atualizado.
Ribeirão Preto situa-se sobre o maior manancial
de água doce subterrânea transfronteiriço
(entre países) do mundo, o Aqüífero
Guarani, fonte de todo o abastecimento de água
da cidade, e que, mesmo constando no Plano Diretor,
ainda há um descaso quanto à preservação
da área de recarga que fica na Zona Leste da
cidade.
A integrante do Projeto Guarani, Flavia Olaia, que faz
estudos sobre o Aqüífero visando à
sua prevenção, comentou que a prefeitura
vai utilizar parte de seu projeto para inclusão
no Plano Diretor da cidade. Esse projeto tinha previsão
de conclusão em dezembro do ano passado, mas
foi adiado para 2009, motivo que também fará
com que atrase a atualização do projeto
ambiental de Ribeirão Preto.
Com isso, as áreas que deveriam ser destinadas
à recarga do Aqüífero estão
sendo ocupadas para criação de novos lotes
residenciais. O vereador Marinho Sampaio eximiu de culpa
a prefeitura pela venda desses lotes, “por não
ter como quantificar toda essa gama de acontecimentos
em virtude da extensão do Aqüífero”,
afirma Sampaio.
O primeiro passo, segundo Mário Pascarelli, seria
a cidade definir o que é Zona Ambiental, Residencial,
Industrial e Mista.
Outro fator destacado pelo professor é o desperdício
de cerca de 45% da água entre sua extração
e a distribuição à população.
“Isso é inadmissível, não
é porque estamos em cima de uma das maiores reservas
de água do mundo que podemos nos dar ao luxo
de desperdiçar tanta água”.
A sociedade pode
interferir
Os Planos Diretores não são novidades
no Brasil, o problema é que, em sua maioria,
foram elaborados sem consultar a população.
Para Mário Pascarelli, isso ocorre por existirem
interesses políticos e de grandes instituições,
como as construtoras, e ainda, pela falta de preparo
da população para participar desse processo.
Com a criação do Estatuto da Cidade, Lei
Federal n° 10.257/2001, a população
tem a garantia de um território em que todas
as pessoas tenham boas condições de vida
para se desenvolver, ter emprego, acesso a boas escolas
e áreas de lazer.
Um Plano que conta com a participação
geral da população pode ajudar a garantir
direito à moradia, transporte púbico,
saneamento, energia elétrica, gás, abastecimento,
iluminação pública, comunicação,
escola, saúde e lazer. “O que falta pra
isso acontecer (um Plano Diretor ideal) é a sociedade
se mobilizar e descobrir que o poder de decisão
está com eles, e não somente com os políticos”,
concluiu o professor Mário Pascarelli.
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